Maliki pede que países árabes cancelem dívida do Iraque

Primeiro-ministro pediu ainda que nações reabram embaixadas em Bagdá e ajudem governo contra terrorismo

Efe,

22 de abril de 2008 | 04h13

O primeiro-ministro iraquiano, o xiita Nouri al-Maliki, pediu nesta terça-feira, 22, no Kuwait aos países árabes que cancelem a dívida do Iraque, reabram suas embaixadas em Bagdá e ajudem seu Governo na luta contra o terrorismo. Em discurso na sessão inaugural da 3ª conferência de países vizinhos do Iraque, Maliki insistiu que a situação da segurança no Iraque "melhorou muito", e se comprometeu a "fazer mais para uma atmosfera adequada para a reabertura das embaixadas". "A troca diplomática contribuirá para consolidar a segurança e a estabilidade", disse o primeiro-ministro iraquiano, após enumerar as conquistas de seu Governo na luta contra o terrorismo e em favor da reconciliação nacional no Iraque. Além disso, reiterou a importância de que os vizinhos "adotem mais medidas e reforcem a segurança da fronteira" para evitar a infiltração de terroristas no território iraquiano, e proíbam as "fatwas" (opiniões religiosas) que criam conflitos sectários no Iraque. "O Iraque está disposto a desempenhar um papel construtivo pela segurança e estabilidade da zona", afirmou Maliki, após advertir que a "tensão e a insegurança (no Iraque) afetam a estabilidade de toda a região". O primeiro-ministro iraquiano se referiu às dívidas do Iraque e às indenizações que esse país paga às nações afetadas pela ocupação do Kuwait durante seis meses - entre 1990 e 1991- pelo Exército do ex-presidente iraquiano Saddam Hussein. "As contas das indenizações e as dívidas prejudicaram o povo iraquiano (..) e seu cancelamento será visto como um sinal positivo para aliviar o sofrimento de nosso povo e ajudar na reconstrução", ressaltou. Da reunião dos países vizinhos do Iraque -Kuwait, Jordânia, Arábia Saudita, Síria, Irã e Turquia- participam a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, e outros representantes do Grupo dos Oito (G8, sete países mais ricos e Rússia), assim como da ONU, da Liga Árabe e do Conselho de Cooperação do Golfo Pérsico (CCG). Esta conferência é a terceira reunião de países vizinhos do Iraque, após as realizadas na cidade egípcia de Sharm el-Sheikh e em Istambul, em maio e em novembro passados, respectivamente. Rice descartou uma reunião direta no Kuwait com seu colega iraniano, Manouchehr Mottaki, a cujo país Washington acusa de ingerência nos assuntos do Iraque, mas deve seguir pressionando os aliados árabes dos Estados Unidos para que apóiem política e economicamente o Governo de Bagdá. Espera-se que à margem da reunião no Kuwait seja realizado um encontro sobre a forma de resolver a crise política no Líbano, através de acelerar a eleição de um presidente desse país. O Líbano vive um vazio presidencial desde 24 de novembro pela incapacidade do Parlamento em escolher um sucessor de Émile Lahoud, o último a ocupar o cargo, devido às divergências entre a oposição e a maioria parlamentar.

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