Manifestação contra Otan deixa 4 mortos no Afeganistão

Pelo menos quatro afegãos, incluindo um policial, foram mortos quando a polícia disparou nesta sexta-feira contra uma multidão furiosa no volátil sul afegão. Os manifestantes acusavam as forças da Otan de terem matado vários civis durante a noite.

REUTERS

05 de agosto de 2011 | 11h49

Há muito tempo as mortes de civis causadas por tropas lideradas pela Otan na perseguição a combatentes do Taliban e outros insurgentes são motivo de atrito entre o governo afegão e seus aliados ocidentais. Além disso, terminam às vezes em mais violência.

A Força Internacional de Assistência para Segurança (Fias), liderada pela Otan, afirmou em Cabul que houve uma operação contra insurgentes durante a noite no distrito de Qalad, província de Zabul, que é vizinha da turbulenta Candahar, berço do Taliban.

"Não temos registro de baixas entre os civis durante esta operação", afirmou um porta-vos da Fias em Cabul.

O chefe de polícia de Zabul, Mohammad Nabi Elhaam, disse que moradores irados saíram às ruas depois de dizerem que três civis afegãos haviam sido mortos durante a "investida noturna" das tropas da Fias". A ação noturna das forças da Otan matou três civis e isso levou as pessoas a saírem às ruas, disse Elhaam.

Os afegãos se queixam há muito tempo dessas operações e ataques aéreos da Fias contra insurgentes, os quais costumam se esconder entre a população civil.

No entanto, dados da ONU mostram que pelo menos três quartos das mortes violentas de civis no Afeganistão foram causadas pelos rebeldes, cujo uso indiscriminado de bombas colocadas nas estradas mata muitos afegãos inocentes. Ao mesmo tempo, essas armas são sua estratégia mais eficaz contra as tropas afegãs e estrangeiras.

Segundo Elhaam, insurgentes se infiltraram entre os manifestantes, que ele disse serem centenas, em Qalad, e desencadearam a violência. Homens armados no meio da multidão mataram um policial que tentava controlar o protesto, disse ele.

"A polícia teve de disparar para reagir aos tiros porque um de seus efetivos foi morto pelos insurgentes que estavam entre os manifestantes", declarou Elhaam, depois que o protesto foi controlado.

RECORDE DE BAIXAS

A missão da ONU de assistência ao Afeganistão informou no mês passado que os seis primeiros meses de 2011 tinham sido o período mais mortífero para os civis desde a destituição do Taliban do poder por forças afegãs apoiadas pelos Estados Unidos, no final de 2011.

A missão da ONU disse que foram mortos 1.462 civis em incidentes relacionados ao conflito, o que representa uma alta de 15 por cento em relação ao primeiro semestre de 2010. A entidade culpou os insurgentes por 80 por cento das mortes.

No mês passado teve início a primeira fase da transição gradual de controle das forças estrangeiras para as do próprio Afeganistão. Segundo a missão da ONU, os insurgentes vêm tentando mostrar que as forças afegãs não serão capazes de prover sozinhas segurança para o país.

Os ataques aumentaram no país desde o início do processo de transição, que deve terminar com a retirada de todas as tropas estrangeiras de combate até o fim de 2014.

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