Manifestação do Fatah em Gaza termina com sete mortos

Membros de grupo laico que homenageavam Yasser Arafat entraram em confronto com policiais do Hamas

Reuters e Efe,

12 de novembro de 2007 | 11h26

Uma manifestação liderada pelo grupo laico Fatah em homenagem ao líder palestino Yasser Arafat realizada nesta segunda-feira, 12, na Faixa de Gaza terminou com ao menos seis mortos e dezenas feridos.    Israel estuda soltar presos antes de cúpula   De acordo com a agência de notícias Efe, o número de vítimas fatais pode chegar a sete, enquanto que o de feridos pode passar de 150. Quinze deles estariam em estado grave. Uma rede de TV palestina, no entanto, coloca em oito o total de mortos.   Segundo o Movimento de Resistência Islâmica Hamas, um dos mortos seria um membro da agremiação atingido por atiradores de elite do Fatah. O grupo laico, por sua vez, afirma que o homem era membro das suas forças de segurança e teria sido morto quando se dirigia ao protesto.   Os confrontos foram registrados entre os participantes de uma grande concentração em Gaza por ocasião do terceiro aniversário da morte de Yasser Arafat, fundador do movimento Fatah e primeiro presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP).   A manifestação foi a maior demonstração de força encabeçada pelo Fatah desde que o Hamas tomou o controle da Faixa de Gaza em junho, depois de expulsar forças fiéis ao grupo laico através de uma ampla campanha militar no território costeiro.   Embora o ato tenha sido autorizado pelas forças que controlam Gaza, o Fatah acusou homens do Hamas pelo início do incidente. O grupo islâmico, por sua vez, afirma que suas forças apenas responderam a disparos de membros da facção rival.   Testemunhas disseram que forças do Hamas agrediram ativistas do Fatah que participavam da concentração. Segundo outras fontes, milicianos ligados ao Hamas atiraram contra um grupo de ativistas armados do Fatah, levando a Polícia unir-se ao tiroteio.   O Fatah acusou a polícia do Hamas de ter recebido instruções de sua liderança para sabotar a concentração, que contava com a presença de centenas de milhares de palestinos.   Manifestações proibidas   O Hamas proíbe as manifestações da oposição, mas impedir uma homenagem a Arafat seria uma medida demasiadamente impopular.   Uma importante praça da Cidade de Gaza ficou tomada por um mar de bandeiras amarelas do Fatah. Enormes imagens de Arafat, junto com uma foto menor do presidente palestino Mahmoud Abbas, serviram de cenário para o evento, que segundo organizadores contou com mais de 250 mil participantes.   "Abu Mazen (codinome de Abbas) não é como Arafat, mas é o nosso presidente agora e o respeitamos. Pedimos a ele que acabe com a ocupação do Hamas", disse um jovem que se identificou apenas como Khaled.   A concentração era acompanhada de perto por centenas de agentes da Força Executiva, corpo policial criado pelo Hamas em 2006, e no domingo porta-vozes do Ministério do Interior em Gaza disseram que não permitiriam provocações.   Em nota de imprensa, o ministério afirmou que dezenas de militantes do Fatah subiram nos telhados de prédios próximos ao local da manifestação e começaram a disparar contra os policiais do Hamas que controlavam o trânsito.   Restrições   O Hamas montou pelo menos 10 barreiras na principal via de ligação entre o norte e sul de Gaza, a fim de inspecionar veículos que se dirigiam à manifestação, segundo moradores. Funcionários do Fatah disseram que alguns ônibus foram barrados e que os passageiros tiveram de seguir a pé. O Hamas negou tal informação.   A agência de notícias Wafa, controlada pelo governo de Abbas, acusou o Hamas de furtar dezenas de imagens de Arafat e 30 mil lenços quadriculados que representavam o falecido líder e haviam entrado na região horas antes, através de um posto israelense de fronteira. Israel reforçou as restrições na fronteira com a Faixa de Gaza desde que o Hamas assumiu o poder no território. O Estado judaico prometeu, porém, permitir a passagem de bens essenciais.

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