Manifestações durante 'Dia de Fúria' deixam 5 mortos no Iraque

Diferente de outras manifestações no mundo árabe, iraquianos não querem queda do governo

Estadão.com.br, com AP e Reuters

25 de fevereiro de 2011 | 08h54

Manifestantes pedem melhora nos serviços públicos no Iraque. Foto: Khalid Mohammed/AP

 

 

BAGDÁ - Forças de segurança que estavam tentando dispersar manifestantes no norte do Iraque mataram pelo menos cinco pessoas nesta sexta-feira, 25, enquanto milhares protestam em todo o país no que está sendo chamado de "Dia de Fúria".

 

Veja também:

documento Arquivo: Kadafi nas páginas do Estado

especialInfográfico:  A revolta que abalou o Oriente Médio

blog Radar Global: Os mil e um nomes de Kadafi

lista Análise: Hegemonia de Kadafi depende de Exército fraco

 

A capital iraquiana foi praticamente fechada, com soldados sendo enviados em massa ao centro de Bagdá, procurando por manifestantes que tentavam adentrar na Praça Tahrir em uma tentativa de bloquear a praça e as ruas ao redor.

 

Na cidade de Hawija, a 240 km ao norte de Bagdá, manifestantes tentaram entrar no prédio na administração municipal, que atiraram para o alto. Segundo com o chefe de polícia de Hawija, 3 manifestantes morreram.

 

Em Mossul, duas pessoas morreram depois que guardas abriram fogo contra uma multidão de que cerca conselho municipal.

As manifestações foram inspiradas nas revoltas que varrem outros países do mundo árabe, embora no caso iraquiano o foco não seja reivindicar a mudança do regime.

Com cartazes e bandeiras iraquianas, centenas de pessoas afluíram à praça Tahrir, em Bagdá, que estava sob forte segurança. A ponte Jumhuriya, perto dali, foi bloqueada, e veículos foram proibidos de circular na capital.

"Estamos aqui para mudar para melhor a situação do país. O sistema educacional é ruim. O sistema de saúde também é ruim. Os serviços vão de mal a pior", disse Lina Ali, 27 anos, que participa de um grupo juvenil de protesto no Facebook.

"Não há água potável, não há eletricidade. O desemprego está crescendo, e isso pode empurrar os jovens para atividades terroristas", disse ela.

Oito anos depois da invasão norte-americana que depôs o presidente Saddam Hussein, o desenvolvimento no Iraque continua lento, e há escassez de alimentos, água, eletricidade e empregos.

"Nossa manifestação é pacífica", disse Ali, segurando um ramalhete de flores. "Queremos que o governo ouça nossas vozes, o governo que escolhemos. Eles deveriam oferecer serviços ao povo. Outros países estão pressionando pela mudança, então por que ficaríamos em silêncio?"

Os protestos desta sexta-feira foram organizados principalmente por meio da rede social Facebook, a exemplo do que aconteceu com as manifestações que acabaram derrubando os governos da Tunísia e Egito nas últimas semanas.

Cidades grandes e pequenas do Iraque vêm registrando um aumento nos protestos desde o começo do ano. Várias pessoas já foram mortas e feridas em confrontos envolvendo manifestantes e forças de segurança.

O primeiro-ministro Nuri al Maliki reafirmou o direito dos iraquianos a manifestações pacíficas, mas advertiu-os na quinta-feira de que não deveriam participar do "Dia de Fúria", alegando haver possibilidade de violência por parte da Al-Qaeda e do proscrito partido Baath, que apoiava Saddam.

Tudo o que sabemos sobre:
IRAQUEFURIAMILHARES*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.