Your View/Reuters
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Manifestantes e policiais se enfrentam em universidade no Irã

Movimento de protesto contra o governo ainda está vivo, segundo Mousavi, líder opositor a Ahmadinejad

Agência Estado e Associated Press,

07 de dezembro de 2009 | 12h57

Milhares de manifestantes oposicionistas e forças iranianas de segurança entraram em choque nesta segunda-feira, 7, em frente à Universidade de Teerã em um dia para o qual estão previstos protestos contra o governo, disseram testemunhas.

 

Os manifestantes gritavam "morte ao ditador" e uma milícia ligada ao governo abriu caminho pela multidão batendo em homens e mulheres com cassetetes enquanto policiais disparavam bombas de gás lacrimogêneo, segundo relatos.

 

Milhares de policiais cercaram diversas universidades iranianas antes das manifestações prometidas para hoje por estudantes favoráveis a reformas, no primeiro grande protesto em mais de um mês. A oposição tem lutado para manter sua presença nas ruas depois que forças de segurança acabaram com os enormes protestos que surgiram por causa da disputada eleição presidencial em junho.

 

Enquanto o tumulto se formava nas ruas ao redor da Universidade de Teerã, autoridades tomavam medidas dramáticas para fechar o campus para o mundo. As redes de telefonia celular em volta foram desligadas. Para esconder qualquer coisa que acontecia no interior, a cerca ao redor da Universidade de Teerã foi coberta com cartazes e placas com frases do líder supremo Aiatolá Ali Khamenei e mensagens marcando uma importante ocasião xiita comemorada no domingo.

 

Policiais e membros da Guarda Revolucionária cercaram todas as entradas da universidade e checavam a identificação de qualquer pessoa que entrasse no local, para evitar que ativistas da oposição se juntassem aos estudantes, disseram testemunhas.

 

Imagens publicadas no site YouTube mostravam uma marcha de milhares de pessoas dentro da Universidade de Teerã. Os jovens entoavam "morte ao ditador", além de frases contra a milícia Basiji, um grupo paramilitar integrado por jovens milicianos, inclusive estudantes, subordinada à Guarda Revolucionária e ao aiatolá. Não há sinal de forças de segurança e os estudantes seguiam sem conflitos. A autenticidade do vídeo não pôde ser confirmada imediatamente.

 

Na Universidade Amir Kabir, em Teerã, a membros da milícia Basiji entraram no campus e tentaram acabar com uma marcha realizada por centenas de estudantes, segundo testemunhas. A milícia empurrou os estudantes, levando alguns para fora.

 

O potencial de violência dentro das universidades era elevado. Cerca de 2.000 estudantes integrantes da Basiji foram colocados dentro da Universidade de Teerã nesta segunda-feira - aparentemente para realizar uma celebração pelo feriado xiita, mas esses estudantes linha dura costumam ser utilizados para acabar com manifestações pró-reforma no campus.

 

Jornalistas de veículos de mídia estrangeiros estão proibidos de cobrir os protestos planejados para esta segunda. Eles foram informados no sábado à noite pelo Ministério da Cultura de que os crachás de imprensa estariam suspensos por três dias a partir desta segunda-feira.

 

Oponentes do governo esperam uma ampla participação nas demonstrações, para mostrar que o movimento ainda tem força apesar de uma série de sanções do governo desde a eleição, que a oposição alega ter sido vencida pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad por meio de fraude.

 

O líder da oposição, Mir Hossein Mousavi, demonstrou apoio aos protestos dos estudantes e declarou que seu movimento ainda está vivo. Um pronunciamento publicado no seu Web site afirmava que as autoridades governantes não podem silenciar estudantes e que estavam perdendo legitimidade na mente do povo iraniano. "Uma grande nação não ficará em silêncio quando alguns confiscam seu voto", disse Mousavi, que alega ser o real vencedor da eleição de 12 de junho.

 

Khamenei, o líder supremo que tem a última palavra em todas as questões do Estado, acusou a oposição no domingo de causar divisões no país e criar oportunidades para os inimigos do Irã.

 

A convocação para os protestos de hoje foi publicada em diversos sites controlados por defensores dos líderes da oposição Mousavi e Mahsi Karroubi, que concorreram contra Ahmadinejad na eleição de junho.

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