Manifestantes paquistaneses enfrentam a polícia em Lahore

Manifestantes contrários ao governo enfrentaram a polícia nas ruas da cidade paquistanesa de Lahore neste domingo, em confrontos que aprofundaram as preocupações sobre a deterioração da situação no país.

ZEESHAN HAIDER, REUTERS

15 de março de 2009 | 12h52

O ex-premiê e líder da oposição Nawaz Sharif disse que o governo transformou o país em um Estado policialesco e desafiou as tentativas governamentais de impedir uma longa passeata durante a semana, conclamando seus apoiadores para ir às ruas.

"Vocês viram que o país inteiro foi transformado em um estado policialesco. Eles bloquearam todas as estradas, usaram todo tipo de tática ilegal", disse Sharif a um aglomerado de repórteres na entrada de sua casa em Lahore.

Centenas de manifestantes, muitos deles membros do partido religioso Jamaat-e-Islami, atiraram pedras nos policiais do lado de fora da Corte de Justiça de Lahore. Vários veículos foram incendiados.

A polícia reagiu com gás lacrimogêneo e cassetetes.

Mais tarde, milhares de ativistas da oposição inundaram o local, apesar de uma proibição governamental a passeatas, e a polícia se retirou.

A campanha de advogados contrários ao governo e de partidos da oposição ameaça trazer mais tumulto ao Paquistão, enquanto o governo luta para combater militantes islâmicos e reativar uma economia claudicante.

Se a crise política sair de controle, o Exército poderia intervir, embora muitos analistas digam que um golpe militar é improvável.

Os EUA temem que a crise desvie a atenção do Paquistão dos esforços para eliminar enclaves do Taliban e da Al Qaeda na fronteira afegã, vital para os planos americanos de estabilizar o Afeganistão e derrotar a Al Qaeda.

O partido de Sharif declarou que ele foi declarado prisioneiro em sua própria casa por três dias.

Em clima de combate, a polícia isolou a casa de Sharif, mas autoridades do governo negaram que ele esteja em prisão domiciliar. Uma autoridade declarou que Sharif foi posto sob "proteção" durante três dias.

Nesta semana, a polícia deteve centenas de advogados e ativistas da oposição, em uma ação para frustrar o protesto nacional que deve atingir seu clímax na segunda-feira com uma manifestação do lado de fora do Parlamento na capital Islamabad. O governo colocou suas tropas em estado de alerta.

Tudo o que sabemos sobre:
ORMEDPAQUISTAOPROTESTOS*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.