Manobra política impede eleição de presidente do Líbano

Boicote de grupos oposicionistas durante sessão do Parlamento adia votação para outubro

Agências internacionais,

25 de setembro de 2007 | 08h27

O dividido Parlamento libanês não conseguiu eleger um novo presidente para o país nesta terça-feira, 25 por conta de um boicote realizado pela maioria pró-Síria e a oposição na votação. Porém, os dois grupos disseram que estão prontos para dialogar antes de uma nova votação, que será realizada até o dia 23 de outubro. Grande parte dos parlamentares do Hezbollah e de seus parceiros na oposição não compareceu à sessão, impedindo que a maioria, apoiada por países ocidentais, pudesse escolher um sucessor para o presidente pró-Síria Emile Lahoud. O impasse no Parlamento para obter a maioria de dois terços necessária para eleger um presidente na primeira votação reflete as profundas divisões entre facções que querem alinhar o país com o Ocidente e aquelas que favorecem relações com a Síria e o Irã. "Apesar de tudo, continuamos a buscar um diálogo construtivo (com a oposição)...para salvar a eleição presidencial e salvar o Líbano do risco de cair em um vácuo", afirmou Farid Makari, vice-Presidente do Parlamento. Com os temores pela segurança no país cada vez maiores, milhares de soldados e policiais libaneses protegiam o prédio da assembléia no centro de Beirute, onde legisladores pró-governo chegaram sob vigilância armada, vindos de um hotel em que a grande parte estava hospedada. A coalizão anti-síria tem escassa maioria, tornada ainda mais frágil na semana passada devido à morte do deputado cristão Antoine Ghanem, vítima de um carro-bomba. Ele foi o oitavo parlamentar anti-sírio assassinado desde a eleição de 2005. Muitos temem que a divisão envolvendo a presidência leve à formação de dois governos rivais, uma arrepiante lembrança dos últimos dois anos da guerra civil de 1975 a 1990, quando unidades rivais do exército leais a administrações diferentes se enfrentaram nas ruas. O mandato do presidente pró-síria Emile Lahoud expira em 23 de novembro, e partidários do primeiro-ministro pró-EUA, Fuad Siniora, vêm a eleição como uma oportunidade para colocar um dos seus no cargo. Se não for eleito um candidato até a saída de Lahoud, Saniora e seu gabinete assumirão automaticamente poderes executivos. Se isso ocorrer, a oposição diz que Lahoud apontará um segundo governo, a que pode rachar o país.   Texto corrigido às 11h20.

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