Manter direitos às mulheres no Afeganistão é crucial, diz general dos EUA

Avançar nos direitos das mulheres no Afeganistão é crucial para impedir que o Taliban imponha novamente sua visão radical do Islã assim que a maioria das tropas estrangeiras deixar o país até o final de 2014, disse neste sábado o comandante das forças norte-americanas e da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

AMIE FERRIS-ROTMAN, Reuters

11 de fevereiro de 2013 | 19h58

As mulheres afegãs retomaram direitos básicos à educação, voto e emprego desde que o Taliban foi tirado do poder, em 2001, mas há crescentes temores de que tais vitórias podem se esvair enquanto as forças ocidentais se preparam para deixar o país, e o governo afegão tenta dialogar com o grupo.

O general norte-americano John Allen afirmou que o Taliban terá que abrandar sua visão para ganhar aceitação em um Afeganistão que se abriu desde a saída do grupo.

"Será muito difícil para o Taliban se impor novamente, a não ser que haja uma mudança fundamental em sua abordagem filosófica", disse o general à Reuters em seu escritório em Cabul.

"Se eles quiserem se tornar algo palatável para os cidadãos afegãos, terão de abrandar algumas dessas qualidades intransigentes de sua natureza, de como eles tratavam as mulheres e como, eu creio, eles tratarão as mulheres", afirmou o general.

Ele falou um dia antes de entregar o comando para o general Joseph Dunford, encerrando 19 meses de liderança sobre um dos períodos mais difíceis da guerra chefiada pela Otan e que já chega ao seu 11º ano.

GAROTAS NA ESCOLA

Allen afirmou que o grande esforço para educar as garotas, com matrículas chegando a quase quatro milhões, contra zero dos tempos de Taliban, é crucial para mudar a opinião pública no país de 30 milhões de pessoas.

"É uma oportunidade desta jovem geração, para a qual o Taliban era o pesadelo de seus pais, não necessariamente uma experiência pessoal, de crescer em um ambiente onde a educação é inerente a quem são."

Alguns membros do Taliban dizem que uma ala mais moderada do grupo está crescendo, inclusive com uma abordagem diferente em relação à educação feminina, enquanto seus líderes buscam voltar à política, mas Allen descartou essa impressão: "Eu não acredito nisso, nem por um segundo".

A Casa Branca afirmou no mês passado que vai nomear Allen como comandante aliado supremo da Otan na Europa, após o Pentágono ter absolvido o general por má conduta depois de e-mails terem sido enviados para uma socialite da Flórida ligada a um escândalo que levou seu antecessor, David Petraeus, a renunciar como diretor da CIA.

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