Mediação de crise no Líbano foi suspensa, informam Catar e Turquia

Saída do Hezbollah e da oposição do gabinete de Hariri mergulha o país em instabilidade política

Reuters

20 de janeiro de 2011 | 09h57

BEIRUTE - Ministros do Catar e da Turquia suspenderam nesta quinta-feira, 20, seus esforços de mediação na crise libanesa, dizendo que suas propostas foram recebidas com "reservas" pelas partes envolvidas.

 

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O xeque Hamad bin Jassim al-Thani, primeiro-ministro do Catar, e o chanceler turco, Ahmet Davutoglu, deixaram Beirute pouco antes do amanhecer, segundo a agência nacional de notícias do Líbano, para realizar consultas em suas respectivas capitais.

Uma breve nota emitida na partida deles disse que os mediadores, após dois dias de discussões com as facções políticas libanesas, haviam apresentado ideias baseadas numa iniciativa sírio-saudita anterior.

A crise no Líbano opõe o grupo xiita Hezbollah e seus aliados ao primeiro-ministro sunita Saad Hariri. O Hezbollah abandonou na semana passada o governo de unidade nacional em protesto contra o possível indiciamento de membros seus por um tribunal internacional que investiga a morte do ex-premiê Rafik Hariri, pai do atual ocupante do cargo, ocorrida em 2005

Davutoglu e o xeque Hamad mantiveram reuniões em separado com os principais líderes libaneses, o que incluiu um encontro de quatro horas com Saad Hariri e uma reunião no final da noite com o secretário-geral do Hezbollah, Hassan Nasrallah, que vive escondido por medo de ser assassinado.

Em declarações publicadas na quinta-feira pelo jornal libanês Al Akhbar, Davutoglu disse que a situação está "mais positiva" do que no começo da semana, e sugeriu que há maior flexibilidade dos envolvidos.

"Ninguém está tentando rejeitar esses esforços, e isso nos ajuda a avançar para os detalhes", disse ele. "Seria difícil para nós alcançar qualquer progresso se as diferentes partes tivessem mantido suas posições do domingo passado."

Esse otimismo contrasta com declarações feitas na quarta-feira pelo chanceler saudita, príncipe Saud al Faisal, que qualificou a situação no Líbano de "perigosa", e disse que o país corre o risco de se desintegrar devido a disputas sectárias.

A Arábia Saudita que dá apoio a Saad Hariri, disse que desistiu do papel de mediação que vinha tentando exercer junto com a Síria, aliada do Hezbollah., ocorrida em 2005.

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