Mediadores árabes anunciam acordo para fim de crise no Líbano

Mediadores da Liga Árabe anunciaram naquinta-feira a conclusão de um acordo que encerra os pioresconflitos internos surgidos no Líbano desde o fim da guerracivil nesse país, em 1990. O acordo surgiu após o governo libanês, aliado dos EUA, terrecuado no embate com o Hezbollah, um grupo xiita apoiado pelaSíria e pelo Irã. O primeiro-ministro do Catar, xeique Hamad bin Jassim binJabr al-Thani, chefe da delegação da Liga Árabe, tambémconvocou o governo do Líbano e a oposição liderada peloHezbollah para comparecerem ao Catar a fim de realizaremnegociações capazes de solucionar uma crise política mais amplaresponsável por deixar o país paralisado há 18 meses. "Declaramos ter sido firmado um acordo patrocinado pelaLiga Árabe a respeito da crise libanesa", afirmou Hamad. "As partes envolvidas prometeram não mais fazer uso dearmas ou da violência para atingir objetivos políticos." As negociações marcadas para o Catar, e que se iniciariamna sexta-feira, devem continuar "até um outro acordo serselado", disse o xeique. Enquanto Hamad realizava o anúncio, imagens transmitidas aovivo por canais de TV libaneses mostravam escavadeirasdesmontando os bloqueios erguidos por simpatizantes doHezbollah nas vias de acesso ao aeroporto de Beirute como partede sua campanha de protesto contra o governo. "A oposição decidiu colocar fim à campanha de desobediênciacivil e abrir todas as estradas e vias de acesso ao porto e aoaeroporto (de Beirute)", afirmou à Reuters Ali Hassan Khalil,um parlamentar da oposição. Menos de uma hora depois, uma aeronave da companhia aéreaMiddle East Airlines, do Líbano, pousou no aeroporto,transformando-se no primeiro avião comercial a ingressar nolocal em uma semana. COMBATES Ao menos 81 pessoas foram mortas nos conflitos internos,detonados pela decisão do governo, adotada na semana passada,de banir a rede de telecomunicações do Hezbollah e demitir ochefe da segurança do aeroporto de Beirute, uma figura próximado grupo xiita. O Hezbollah considerou as medidas uma declaração de guerrae assumiu o controle de áreas islâmicas da capital libanesa,desferindo um duro golpe contra o governo aliado dosnorte-americanos. Na quarta-feira, o primeiro-ministro libanês, FouadSiniora, cancelou as duas medidas, atendendo a uma dasexigências do grupo xiita e diminuindo as tensões na capital. Segundo o Hezbollah, o recuo do governo oferecia uma "saídanatural" para a crise. Os EUA responsabilizaram pela onda de instabilidade o Irã,a Síria e o Hezbollah, um movimento político e, ao mesmo tempo,uma guerrilha armada. O governo iraniano, de outro lado, culpaos norte-americanos pela violência. A coalizão governista acusa a oposição de tentarrestabelecer o controle exercido pela Síria sobre o Líbano e detentar garantir uma maior presença iraniana no país. Forças militares sírias permaneceram em território libanêsde 1975 até 2005, quando o assassinato do ex-primeiro-ministrodo Líbano Rafik al-Hariri intensificou as pressõesinternacionais que exigiam a retirada delas. A saída das tropassírias, no entanto, atirou o país em uma crise. (Reportagem adicional de Laila Bassam, Tom Perry, NadimLadki e Yara Bayoumy)

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