Mediadores exigem solução para impasse libanês até quarta

Chanceler do Qatar, onde acontece a negociação, diz sem detalhes que já existem propostas para fim da crise

Agência Estado e Associated Press,

20 de maio de 2008 | 11h17

Os mediadores árabes estabeleceram nesta terça-feira, 20, um prazo para que até a quarta as negociações entre facções rivais do Líbano sejam concluídas. Há duas diferentes propostas, apresentadas pelos grupos reunidos no Qatar, para se encerrar o impasse político de um ano e meio na política libanesa.   O ministro das Relações Exteriores do Qatar, Ahmed bin Abdullah al-Mahmoud, disse que as propostas eram as "melhores soluções" apresentadas pelos mediadores para solucionar a crise. Os quatro dias de conversas enfocaram dois temas-chave - um governo de unidade nacional e uma nova lei eleitoral. Isso resultaria também na eleição do novo presidente libanês.   Al-Mahmoud não quis revelar o conteúdo das propostas. Ao explicar o motivo do prazo para as negociações, explicou que foi estabelecido um prazo porque "um dos lados pediu mais tempo". As negociações em Doha ocorrem depois da assinatura de um acordo que levou ao fim de uma semana de distúrbios considerada o pior episódio de violência desde a guerra civil (1975-90).   A crise tornou-se violenta em 7 de maio, com confrontos entre grupos pró-governo e a oposição liderada pelo Hezbollah nas ruas da parte oeste de Beirute, de maioria muçulmana, nas montanhas centrais e no norte do país. Pelo menos 67 pessoas morreram.   Um eventual acordo em Doha tende a levar à eleição do candidato presidencial de compromisso, o general Michel Suleiman, comandante do Exército. A presidência do Líbano está vaga desde o fim do mandato de Emile Lahoud, um político pró-Síria, em novembro do ano passado.   Desde o início das conversas, a oposição liderada pelo Hezbollah insiste que a solução deve ser um pacote incluindo tanto a composição do novo governo de unidade nacional como a nova lei eleitoral. Os dois lados devem então voltar a Beirute, onde seria confirmado o nome de Suleiman no Parlamento. A legislação é um tema importante, já que determinará a distribuição de poder no país e também deve influenciar diretamente o resultado das próximas eleições parlamentares, em 2009.   Ao conceder mais prazo para as negociações, os anfitriões podem também consultar a Arábia Saudita, com influência sobre a maioria parlamentar apoiada pelo Ocidente. Já a oposição libanesa é aliada de Síria e Irã.

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