Médico brasileiro detido no Líbano é pediatra conceituado

Mohamad Kassen Omais e sua esposa são professores universitários em Cuiabá; médico é suspeito de terrorismo

Nelson Francisco, da Agência Estado,

20 de fevereiro de 2008 | 19h19

O pediatra Mohamad Kassen Omais, preso acusado de supostamente integrar uma lista de procurados por atividades terroristas, é um médico conceituado em Cuiabá. Ele e sua esposa, Gisele do Couto Oliveira, são professores desde 2001 da Universidade de Cuiabá (Unic) e atendem numa das clínicas mais requisitadas da cidade.   Veja também: Médico brasileiro é preso no Líbano por suspeita de terrorismo   O chefe do departamento de Medicina da Unic, Marcial Francis Galera, atesta a idoneidade dos médicos. "Desconhecemos qualquer atividade terrorista desses médicos", afirmou Galera.   Colegas de profissão ouvidos pelo Estado, que não quiseram se identificar, ficaram surpresos com a notícia. "Não pode ser a mesma pessoa. Deve haver algum engano", disse um dos pediatras mais conhecidos de Cuiabá. O Conselho Regional de Medicina (CRM) não quis se pronunciar sobre a prisão do médico.   Procurada pelo Estado, a direção da Clínica Femina também não quis se manifestar. Em sua casa, num bairro nobre da cidade, ninguém foi localizado.   Irmão de Omais, o também médico Ali Kassen Omais, disse à Agência Brasil, que pode ter ocorrido engano na prisão de seu irmão. "Até os nomes dos pais são idênticos, e a polícia libanesa quer ter certeza de que não se trata do meu irmão", disse.   Segundo ele, o pediatra não tem qualquer ligação com grupos políticos ou terroristas. "Ele nunca teve nenhuma ligação política, nem mesmo no Brasil, que dirá fora do país. O único vínculo do meu irmão com o Líbano é que nossos pais são libaneses e hoje vivem lá. Meu irmão nasceu, se formou e sempre morou no Brasil", acrescentou.   Omais foi preso na sexta-feira, 15, quando desembarcou com sua mulher em Beirute, num vôo vindo do Brasil.   O médico está detido há cinco dias sem que as autoridades libanesas permitam que ele seja visitado pela família ou por representantes do consulado brasileiro.

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