Menino palestino foi morto por munição real, revela autópsia

Soldados israelenses não teriam usado bala de borracha para conter protesto contra construção de barreira

Agência Estado e Associated Press,

30 de julho de 2008 | 09h48

Uma autópsia conduzida por médicos palestinos revelou nesta quarta-feira, 30, que o menino de dez anos morto na terça por soldados israelenses foi alvejado por munição real, e não por uma bala de borracha, informaram autoridades locais.   Ahmed Moussa foi morto na aldeia palestina de Naalin. Ele estava no local de um dos freqüentes protestos contra uma barreira de segurança que Israel vem construindo na Cisjordânia. O Exército israelense informou que está investigando o caso. O governador de Ramallah, Said Abu Ali, disse nesta terça que a autópsia revelou que Ahmed foi atingido por uma bala de fuzil M-16 que entrou por sua testa e saiu por trás da cabeça.   A morte de crianças nos confrontos entre israelenses e palestinos é uma questão delicada e os dois lados costumam acusar-se mutuamente de exagerar os acontecimentos. Israel queria realizar uma autópsia em conjunto com os palestinos, mas o pedido foi rejeitado, informou o governador. Funcionários israelenses não foram encontrados para comentar o assunto.   Os moradores de Naalin protestam quase diariamente contra a barreira, que, quando concluída, impedirá o acesso dos camponeses palestinos às oliveiras que cultivam na região. As manifestações freqüentemente resultam em choques entre atiradores de pedras palestinos e soldados israelenses, que costumam usar gás lacrimogêneo e munições de aço revestidas com borracha.   No incidente de terça, soldados israelenses começaram a erigir uma cerca improvisada para impedir os manifestantes de chegaram a escavadeiras que removiam a terra para a construção da barreira. De acordo com os participantes do protesto, os israelenses primeiro lançaram gás lacrimogêneo e usaram balas de borracha, mas passaram a atirar com munição real quando manifestantes começaram a escalar a cerca. Uma das balas atingiu Moussa na cabeça.   O Exército israelense anunciou que investigaria o caso e informou que uma investigação inicial sugeria que os manifestantes estavam "atirando pedras em quantidade muito grande".   Israel começou a construir uma barreira de centenas de quilômetros de extensão em 2002 sob a alegação de que o emaranhado de cercas, muros e trincheiras é necessário para impedir incursões de militantes radicais palestinos em seu território. Entretanto, a barreira de segurança invade em diversos pontos a Cisjordânia e deixa aldeias palestinas no "lado israelense" da barreira, além de bloquear o acesso de camponeses a seus campos de cultivo.   Os palestinos denunciam a barreira como uma tentativa israelense de tomar territórios nos quais a Autoridade Nacional Palestina (ANP) pretende fundar um Estado independente e soberano, inviabilizando sua emancipação.

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