Ahmad Gharabli/AFP
Ahmad Gharabli/AFP

Mesmo em confinamento, manifestantes protestam contra Netanyahu

Apesar de novas restrições impostas na última sexta-feira, 18, milhares de pessoas tomaram as ruas para exigir a saída do primeiro-ministro

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2020 | 21h04

JERUSALÉM - Vários milhares de manifestantes se concentraram neste domingo, 20, em Jerusalém para exigir a saída do primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu, indiciado por corrupção e acusado de má gestão da crise de saúde, uma vez que o país retomou o confinamento na última sexta-feira.

As manifestações foram autorizadas apesar do novo confinamento imposto no país para tentar conter a expansão do coronavírus. O governo impôs limites à circulação de pessoas e às reuniões em grupo.

 

Entre as medidas está a proibição de os israelenses se afastem por mais de 500 metros de casa (haverá permissão para ir a locais de trabalho, porém com limitações). As reuniões devem se limitar a, no máximo, 10 pessoas em ambientes fechados e 20 em ambientes abertos.

Apesar das novas restrições, os manifestantes foram tão numerosos no domingo quanto durante os protestos que têm sido organizados todos os sábados por quase três meses em frente à casa de Netanyahu em Jerusalém.

Da manhã até o final da tarde, um Israel confinado não ouviu nada além do barulho do shofar, o chifre de carneiro com o qual os fiéis anunciam o Rosh Hashaná (Ano Novo Judaico). Aos poucos e com a correria das horas, no entanto, esse som tradicional estava dando lugar a outro, bastante semelhante, e que ultimamente também leva a se tornar uma tradição no país: o barulho da corneta durante os protestos semanais contra Netanyahu.

Os participantes usavam máscaras, mas não respeitavam as medidas de distância física impostas para combater a propagação do novo coronavírus. Além disso, carregavam as já clássicas bandeiras negras, bandeiras israelenses e cartazes com mensagens contra o primeiro-ministro. A polícia afirmou que as barricadas que eles haviam colocado no local da manifestação foram derrubadas por manifestantes que "não ouviram as regras", como um motorista que foi preso, por atropelar a proteção policial com o seu veículo. 

Israel, um dos países que registrou a maior taxa de contágios do novo coronavírus per capita nas últimas duas semanas, entrou novamente em confinamento na sexta-feira por pelo menos três semanas. As medidas começaram no primeiro dia da temporada de férias judaica, causando descontentamento de grande parte da população.

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