Michel Suleiman traz consenso às divisões libanesas

Ex-chefe do Exército, novo presidente tem a missão de reconciliar o pequeno país de muitas desavenças

Efe,

25 de maio de 2008 | 18h18

Michel Suleiman, o novo presidente do Líbano, é um homem que soube criar um raro consenso entre partidos que se opunham em praticamente todos os assuntos. Comandante-em-chefe das Forças Armadas Libanesas desde dezembro de 1998, Suleiman conseguiu manter o Exército à margem das azedas disputas políticas entre a maioria parlamentar, que sustenta o governo de Fouad Siniora (primeiro-ministro do Líbano) e é considerada pró-ocidental, e a minoria de oposição, governada pelo grupo xiita Hezbollah e com o apoio quase aberto da Síria. Veja também:Parlamento libanês elege novo presidentePara analistas, acordo no Líbano não é solução de longo prazo Suleiman, de 59 anos, casado e com três filhos, é cristão - como deve ser o chefe de Estado libanês, segundo a rígida repartição confessional dos cargos institucionais, estabelecida na Constituição libanesa e ratificado nos Acordos de Taif (1989), que puseram fim à guerra civil iniciada em 1975. Formou-se em subtenente na Escola Militar no ano de 1970, e mais tarde obteve a licenciatura em Ciências Políticas e Administrativas pela "Universidade do Líbano". Dirigiu a Brigada XI de Infantaria, entre 1993 e 1996, durante a ofensiva israelense contra o Líbano, nas frentes sul e oeste do Vale do Bekaa. Suleiman esteve à frente do desdobramento do Exército no sul do Líbano após a guerra que, de julho a agosto de 2006, livraram o país de Israel e do braço armado do grupo xiita Hezbollah, mas que custou a vida de 1.200 libaneses e de 150 israelenses. Em 2 de outubro de 2006 levantou a bandeira libanesa sobre a colina de Labbuneh, junto à fronteira israelense, e anunciou o retorno da soberania do Estado sobre o sul do país, reduto tradicional do Hezbollah. Além disso, no verão de 2007, liderou as operações do Exército no campo de refugiados palestinos de Nahr al-Bared, junto à cidade setentrional de Trípoli, onde milicianos, supostamente pertencentes a uma célula da rede terrorista Al-Qaeda, haviam se entrincheirado. Suleiman foi responsável pela reorganização e pela reestruturação do Exército, após uma emenda na lei do serviço militar e uma série de movimentos para transformá-lo em fiador da democracia e não em um instrumento de repressão aos opositores. O novo presidente do Líbano devia sair da disputa em agosto deste ano, mas seu nome começou a soar com força para suceder, na Chefia do Estado, Émile Lahoud - um homem muito identificado com a Síria, e que em seus últimos anos no poder havia sido boicotado pela maioria parlamentar, até o ponto em que quase rompeu relações com o primeiro-ministro. Ao contrário de Lahoud, Suleiman carece de rótulos políticos e foi, desde o princípio, aceito por todas as partes, que concordaram inclusive com a necessidade de emendar a Constituição para permitir que um cargo militar em ativo passasse diretamente a exercer a Presidência sem que intermediasse um prazo de dois anos entre uma e outra responsabilidade. No entanto, houve outras razões que o impediram de ser eleito imediatamente: a minoria parlamentar liderada pelo Hezbollah exigia que essa nomeação fosse acompanhada de reformas na lei eleitoral e na formação de um novo governo. Durante todos os meses nos quais se agravou o conflito entre as partes, Suleiman soube permanecer fora da tempestade, tanto que impediu que o Exército interviesse no conflito que milicianos armados, partidários e contrários ao governo, criaram nas ruas de Beirute e em outras cidades do país, no início de maio.  A vaga de chefia do Estado estava vaga desde novembro. Com essa posição de neutralidade, Suleiman espera conseguir o que considera seu primeiro objetivo: a reconciliação de um país pequeno em extensão mas grande em desavenças.

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