Milhares de iranianos saem às ruas para protestar contra Israel

Presidente do Irã questiona legitimidade do Estado israelense e protesta contra ocupação da cidade santa

Efe,

05 de outubro de 2007 | 10h39

Os moradores das principais cidades iranianas saíram às ruas nesta sexta-feira, 5, em uma grande manifestação para comemorar o Dia de Al-Quds (Jerusalém), e em protesto contra a presença israelense na Cidade Santa. O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, questionou em discurso a legitimidade do Estado de Israel e protestou contra a presença israelense na cidade santa. Segundo a agência estudantil de notícias Irna, milhares de pessoas em Teerã começaram sua passeata às 10 horas (horário local) e se concentraram em frente à Universidade de Teerã. Os manifestantes iranianos gritaram lemas como "Morte a Israel e aos Estados Unidos", em apoio ao povo palestino e contra "os crimes" do Estado judeu.  "Deve ser permitido que os povos investiguem os crimes do regime sionista e conheçam sua 'caixa-preta'", disse o presidente iraniano em declarações divulgadas pela agência pública iraniana de notícias estatal. O presidente iraniano propôs de modo irônico que os Estados ocidentais concedam aos israelenses outro lugar para construir um Estado, e citou como candidatos "os amplos territórios do Alasca ou do Canadá para que os israelenses levantem seu país". "Há mais de 60 anos que os jovens e o povo oprimido palestino foram suprimidos de seus direitos humanos", disse Ahmadinejad. "Por que não permitir decifrar a 'caixa-preta' da Segunda Guerra Mundial?", perguntou Ahmadinejad, em referência ao Holocausto judeu, cuja existência já chegou a negar. Segundo a televisão iraniana, o protesto deste ano conta com uma participação maior que em anos anteriores. Os manifestantes levam bandeiras palestinas, emblemas do grupo libanês Hezbollah e retratos do fundador da República Islâmica do Irã, o falecido aiatolá Ruhollah Khomeini, do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, e do líder do Hisbolá, Hassan Nasrallah. O Dia de Al-Quds é comemorado nos países muçulmanos na última sexta-feira do Ramadã, mas as autoridades iranianas se anteciparam aos outros Estados e decidiram lembrá-lo nesta sexta. Como o Ramadã é regido pelo calendário lunar, ainda é impossível determinar qual será a última sexta-feira do mês sagrado muçulmano. O ministro de Assuntos Exteriores iraniano, Manouchehr Mottaki, afirmou no aeroporto de Teerã que "o regime sionista chegou ao máximo ponto de impotência em seus 60 anos de vida". Para o chefe da diplomacia iraniana, Israel, apoiado pelos EUA, golpeou militarmente os palestinos, os libaneses e os sírios, já que, segundo Mottaki, este é o único trunfo de Israel para demonstrar sua existência.

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