Milhares protestam para marcar seis anos da ocupação de Bagdá

Dezenas de milhares de seguidores do clérigo xiita antiamericano Moqtada Al Sadr saíram na quinta-feira às ruas de Bagdá para um protesto no sexto aniversário da ocupação norte-americana na capital do Iraque.

REUTERS

09 de abril de 2009 | 09h51

"Abaixo os EUA", gritavam os manifestantes, enquanto Ali Al Marwani, dirigente do partido sadrista, denunciava a ocupação norte- americana do Iraque, que começou com a queda de Bagdá, em 9 de abril de 2003, e com a derrubada da estátua de Saddam Hussein na praça Firdos.

A multidão se estendia da gigantesca favela de Sadr City (zona nordeste) até a própria praça Firdos, a 5 quilômetros. Ali, os manifestantes queimaram retratos do ex-presidente dos EUA George W. Bush, que ordenou a invasão, e de Saddam, que perseguiu a comunidade xiita e era inimigo de Sadr.

"Deus nos una, devolva nossas riquezas, liberte nossos prisioneiros das prisões, devolva a soberania ao nosso país, torne nosso país livre do ocupante e evite que o ocupante roube nosso solo", disse Sadr em mensagem lida por seu assessor Assad Al Nassiri. "Deus, faça de nós os libertados da nossa terra."

O presidente dos EUA, Barack Obama, que fez uma visita-surpresa ao Iraque na terça-feira, determinou que todas as tropas de combate deixem o Iraque até o final de agosto de 2010. Restará então uma força residual de 35 mil a 50 mil instrutores militares, assessores e pessoal de apoio logístico.

Um acordo entre EUA e Iraque, firmado ainda no governo Bush, prevê que todos os soldados norte-americanos deixem o país até o final de 2011.

Sadr, descendente de uma das grandes dinastias religiosas xiitas do Iraque, supostamente está no Irã, estudando jurisprudência religiosa.

Sua milícia Exército Mehdi travou sangrentas batalhas contra as forças dos EUA depois da invasão, mas posteriormente, sob ordens de Sadr, abandonou a luta armada e passou a se dedicar a causas sociais.

No ano passado, o governo do premiê Nuri Al Maliki, xiita e aliado dos EUA, determinou que as tropas israelenses reprimissem remanescentes da milícia em Basra (sul) e Bagdá.

(Reportagem de Aseel Kami)

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