Milícia iraquiana liberta refém dos EUA preso há 9 meses

Uma milícia leal ao clérigo xiita Moqtada al-Sadr libertou um ex-soldado norte-americano no sábado, depois de mantê-lo em cativeiro em Bagdá durante nove meses.

REUTERS

17 de março de 2012 | 19h58

O ex-soldado, identificado como Randy Michaels, apareceu na TV vestindo um uniforme militar sem insígnia, ladeado por dois membros do parlamento do movimento de Sadr, incluindo o porta-voz substituto do parlamento.

Ele foi entregue à missão da Organização das Nações Unidas (ONU) em Bagdá, que o transferiu para a embaixada dos EUA.

O governo dos EUA confirmou que ele é um cidadão americano, mas não deu mais detalhes.

Em rápidos comentários feitos aos repórteres iraquianos que foram convocados às pressas para testemunhar a sua libertação, Michaels disse que tinha chegado ao Iraque em 2003 e serviu inicialmente como soldado durante 15 meses.

Ele permaneceu no Iraque "desempenhando uma função civil desde então, até junho de 2011, quando fui feito refém por elementos da Yom al Maoud", disse, referindo-se à Brigada do Dia Prometido (Promised Day Brigade) um braço da milícia de Sadr Mehdi.

"Fui levado para dentro de Bagdá e mantido em diferentes locais dentro da cidade por Al-Maoud. Me explicaram que a minha libertação aconteceu por motivos humanitários e que não houve nenhuma troca envolvida."

Legisladores Sadristas se referiam a ele, repetidamente, como um soldado americano. No entanto, o Pentágono diz que nenhum dos seus soldados que estão servindo lá, consta como refém no Iraque, desde que os restos mortais do último soldado desaparecido foram recuperados no mês passado.

Maha al-Douri, um parlamentar do bloco de Sadr, disse: "Declaramos que a libertação do soldado norte-americano, Randy Michaels, ocorreu sem qualquer compensação, de acordo com as instruções de Moqtada al-Sadr, como um presente dele para a família do soldado e para o seu povo e para corrigir a imagem do Islã."

Qusay al-Souhail, porta-voz substituto do parlamento disse que a liderança da Brigada do Dia Prometido tomou a decisão de libertar o refém, depois da confirmação que as tropas dos EUA se retiraram do Iraque.

Uma autoridade do Departamento de Estado Americano, em Washington, disse que: "Podemos confirmar que a UNAMI, transferiu um cidadão americano para a embaixada em Bagdá, que está prestando assistência consular. Devido a questões de privacidade, não podemos fornecer informações adicionais."

Nove anos depois da invasão do Iraque, que derrubou Saddam Hussein, os EUA retiraram suas tropas do Iraque em dezembro de 2011, porém algumas centenas de militares continuam lá, fazendo serviços diplomáticos na embaixada.

A missão americana inclui também cerca de 2 mil diplomatas e, desde o ano passado, 14 mil empreiteiros civis. A embaixada disse que o número de empreiteiros diminui desde então, mas não libera informações atualizadas.

O Exército de Sadr Mehdi controlou partes de Bagdá e do Sul do Iraque até que eles foram derrotados pelas forças do governo iraquiano e pelas tropas americanas em 2008.

Sadr desfez a maior parte do seu exército Mehdi e se juntou aos políticos da situação e seus seguidores fazem parte da coalizão do governo que compartilha o poder.

A Brigada do Dia Prometido e outros membros do exército de Mehdi continuaram a lutar contra as tropas dos EUA e reivindicaram a responsabilidade pelos sequestros de estrangeiros. A maioria desses grupos disse que está se desarmando, já que as tropas dos EUA deixaram o país.

(Por Peter Graff)

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