Milícia xiita declara cessar-fogo no Iraque após conflitos

'Nós pedimos um fim das ações armadas em Basra e em todas as outras províncias', diz clérigo Moqtada al-Sadr

Reuters e BBC,

30 de março de 2008 | 11h12

O clérigo xiita Moqtada al-Sadr odenou neste domingo, 30, que os membros da milícia fiel a ele, Exército Mehdi, deixassem as ruas de Basra e de outras cidades no Iraque, na tentativa de estancar a violência nas grandes e pequenas cidades do país que tem ameaçado fugir de controle. Veja também:. Ataques e confrontos matam seis e ferem 15 no sul do Iraque. Forças britânicas se aproximam de cidade iraquiana de Basra. Governo iraquiano prolonga toque de recolher "Por causa da responsabilidade religiosa, e para fazer com que se pare de derramar sangue iraquiano, nós pedimos um fim das ações armadas em Basra e em todas as outras províncias", disse Sadr em um comunicado distribuído a jornalistas por auxiliares na cidade sagrada xiita de Najaf. "Qualquer um que carregar uma arma e alvejar instituições do governo não será um dos nossos."    A declaração do clérigo indica que pode ter havido um acordo entre o movimento xiita e o governo do Iraque, que havia dado um prazo até 8 de abril para que os militantes depusessem armas. Um porta-voz do Ministério do Interior do Iraque, Abdulkarim Khalaf, disse que o comunicado do clérigo é positivo, mas não há expectativa de que o governo suspenda de imediato suas operações militares em Basra. Segundo Khalaf, as autoridades vão continuar levando à Justiça "criminosos", não necessariamente do grupo de Moqtada al-Sadr. O anúncio do clérigo vem depois de cinco dias de combates entre os milicianos do Exército Mehdi e as forças de segurança iraquianas, com apoio americano e britânico. Pelo menos 350 pessoas morreram no sul do Iraque e outras 117, em Bagdá. Uma revolta dos seguidores de Sadr no porto petrolífero de Basra foi o estopim para a explosão de violência no país, que ameaça os recentes progressos obtidos na frágil segurança do país e põe em perigo os planos de retirada das tropas dos EUA. O primeiro-ministro do Iraque, Nuri al-Maliki, lançou a operação militar na última terça-feira, prometendo retomar o controle de seu governo sobre a segunda cidade do Iraque, que está dominada por diversas milícias. Mas, até o momento, apenas edifícios ligados a Sadr foram alvejados.    A operação de Maliki gerou uma resposta furiosa do Exército Mehdi, ligado ao clérigo, que acredita que o premiê e o Conselho Supremo Islâmico Iraquiano, seu mais poderoso aliado xiita, estejam tentando esmagá-lo antes das eleições provinciais, que acontecem em outubro. Forças do governo até agora não conseguiram retirar os milicianos das ruas de Basra.  O presidente dos EUA, George W. Bush, elogiou a operação em Basra, dizendo ter sido planejada e liderada pelo Iraque. Mas há sinais de que a coalizão EUA-Reino Unido esteja profundamente envolvida no conflito. As forças especiais dos EUA estão operando em Basra em paralelo com as tropas iraquianas, informou o Exército norte-americano neste domingo. Forças britânicas, que se retiraram da cidade no ano passado, também se moveram para seus arredores. Um porta-voz britânico disse que não havia planos até o momento de as forças do país entrarem por solo em Basra.

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