Milícias podem levar Líbia à guerra civil, diz líder interino

A Líbia corre o risco de mergulhar na guerra civil a menos que controle as milícias rivais que preencheram o vácuo deixado pela queda de Muammar Gaddafi, disse o chefe do governo interino depois de uma erupção de violência na capital.

REUTERS

04 de janeiro de 2012 | 11h34

Mustafa Abdel Jalil, presidente do Conselho Nacional de Transição (CNT), fez o alerta em resposta a uma troca de tiros entre milícias em uma das ruas mais movimentadas de Trípoli, que deixou quatro combatentes mortos.

Mais de dois meses depois de grupos rebeldes anti-Gaddafi terem capturado e morto o ex-ditador, os novos governantes líbios ainda lutam para exercer autoridade enquanto líderes de milícias rivais se recusam a ceder o controle sobre seus combatentes e a depor as armas.

"Estamos diante de duas opções amargas", disse Abdel Jalil em uma reunião na cidade de Benghazi, no leste do país, na terça-feira.

"Nós lidamos com essas violações (confrontos entre milícias) de maneira rígida e colocamos os líbios em um confronto militar que não aceitamos, ou nos dividimos e haverá uma guerra civil. Se não há segurança, não há leis, não há desenvolvimento e não há eleições", disse.

"As pessoas estão fazendo justiça com as próprias mãos."

As milícias, que vêm de dezenas de cidades e campos ideológicos diferentes, lideraram a luta de nove meses, apoiadas pelos bombardeiros da Otan, para pôr fim aos 42 anos de governo de Gaddafi. Mas agora estão relutantes em desbandar e depor suas armas.

Elas disputam umas com as outras a influência na nova Líbia, e acreditam que para receberem sua parte do poder político precisam manter uma presença armada na capital.

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