Militantes de Gaza disparam morteiros e Israel fecha passagem

Ataques ocorrem um dia depois de Estado judeu testar com sucesso escudo anti-mísseis

Associated Press e Agência Estado,

07 de janeiro de 2010 | 16h10

Militantes da Faixa de Gaza dispararam pelo menos 10 morteiros na direção de Israel nesta quinta-feira, 7, um dia depois do governo israelense ter anunciado um teste bem-sucedido de seu escudo de alta tecnologia contra futuros ataques de morteiros e foguetes provenientes do território governado pelo Hamas.

 

Assim que for instalado, ainda este ano, o chamado Domo de Ferro poderá retirar do Hamas um importante meio de ameaça a Israel. Os militantes islâmicos têm disparado milhares de foguetes e morteiros contra comunidades fronteiriças israelenses, causando poucos danos mas espalhando temor entre as centenas de milhares de civis da região.

 

O anúncio de Israel sobre seu novo sistema de defesa de foguetes foi feito enquanto o Egito aumenta seus esforços para bloquear as centenas de túneis usados para contrabando com a construção de um muro subterrâneo ao longo da fronteira com Gaza. Os túneis ajudam a manter o Hamas no poder ao contornar o bloqueio de fronteira imposto por Israel e pelo Egito.

 

Na quarta-feira, centenas de pessoas jogaram pedras e entraram em confronto com tropas egípcias na fronteira. Houve uma breve troca de tiros que deixou um guarda egípcio morto e sete habitantes de gaza feridos, três deles gravemente.

 

O Egito enviou uma mensagem dura ao Hamas. "O Egito adverte que sua paciência tem limites", disse o porta-voz do Ministério do Exterior, Hossam Zaki. "Qualquer outra tentativa de provocar a segurança egípcia terá suas consequências."

 

O muro subterrâneo e o escudo de mísseis israelense pode limitar as opções do Hamas no futuro de pressionar os militantes a tornarem-se mais moderados, algo que eles têm se recusado a fazer até agora. O Hamas está engajado em negociações indiretas com Israel sobre a troca de prisioneiros e com seus rivais palestinos da Cisjordânia sobre o compartilhamento de poder. O Hamas tomou Gaza em 2007.

 

Ahmed Yousef, funcionário do Hamas, desconsiderou os últimos acontecimentos. "O Hamas não é um Estado. É um movimento de resistência política e, por isso, pode se ajustar a qualquer nova circunstância", disse ele, sem dar maiores detalhes.

 

Na quinta-feira, militantes do Hamas dispararam pelo menos dez morteiros na direção de Israel, sem causar danos ou ferimentos. Os militantes disseram que os disparos foram uma resposta a um ataque aéreo israelense que matou um atirador de Gaza e feriu outros no início da semana.

 

Três dos morteiros caíram na passagem de Kerem Shalom, a principal via de entrada de bens em Gaza. Israel fechou a passagem em resposta aos morteiros.

 

Especialistas militares disseram que o sistema Domo de Ferro trará profunda mudanças à volátil fronteira entre Gaza e Israel. "Até agora, estávamos totalmente expostos a qualquer um em Gaza que tivesse um foguete para atirar contra Israel", disse Uzi Rubin, ex-funcionário do Ministério da Defesa de Israel. "A capacidade de causar danos e mortes em Israel será bastante diminuída."

 

Segundo meios de comunicação israelense, a primeira bateria anti foguetes será instalada em maio, perto da cidade fronteiriça de Sderot, o alvo mais frequente dos foguetes provenientes de Gaza.

 

Também nesta quinta-feira, ativistas internacionais entregaram centenas de toneladas de remédios e ajuda humanitária para Gaza. O comboio foi liderado pelo advogado britânico George Galloway, que disse que o grupo "vai voltar com mais (ajuda) até que este cerco criminoso imposto ao povo de Gaza, para puni-los por terem votado numa eleição livre, seja levantado".

 

Na terça-feira, os ativistas foram confinados pelas forças egípcias a uma área do porto egípcio de El-Arish, em meio a desentendimentos sobre quantos veículos os ativistas poderiam levar para Gaza. Dezenas de estrangeiros e vários integrantes das forças de segurança egípcias ficaram feridos nos confrontos. "Nossa chegada a El-Arish foi o começo de um pesadelo", disse Galloway, acrescentando que 55 membros do grupo ficaram feridos.

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