Militantes disparam mísseis contra Israel e ameaçam trégua

Governo israelense mantém fronteiras com Gaza fechadas pelo segundo dia em resposta aos ataques

Agência Estado e Associated Press,

26 de junho de 2008 | 10h03

Militantes palestinos dispararam dois foguetes a partir da Faixa de Gaza contra o sul de Israel nesta quinta-feira, 26, sem causar vítimas ou danos, mas colocando em risco a frágil trégua que já dura uma semana, acordada para acabar com o ciclo de ataques palestinos e duras represálias israelenses.   O escritório militar israelense disse que o primeiro foguete caiu em um campo aberto de uma fazenda comunitária. Os militares não informaram onde caiu o segundo foguete. Esta foi a segunda violação da trégua, mediada pelo Egito, realizada pelos militantes palestinos. O governo israelense não respondeu imediatamente, mas oficiais disseram que o ministro da Defesa, Ehud Barak, fez uma reunião para decidir qual será a resposta.   O ceticismo sobre a possibilidade do cessar-fogo durar se espalhou antes mesmo da sua entrada em vigor, em 19 de junho. O objetivo inicial do cessar-fogo era parar com os ataques de morteiros e foguetes contra o sul de Israel, que durou nos últimos anos, e ao mesmo tempo amenizar o forte bloqueio que Israel mantém à Faixa de Gaza.   Israel interrompeu o transporte de cargas na sua fronteira com a Faixa de Gaza na terça-feira, após os militantes terem disparado três foguetes. Desde então a fronteira voltou a ser fechada e isso cortou o fornecimento de mercadorias básicas como alimentos Antes do ataque desta quinta-feira, o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, denunciou o fechamento da fronteira como uma "severa brecha no cessar-fogo."   O Hamas, que governa a Faixa de Gaza nos últimos doze meses, disse que respeitaria a trégua, mas não entraria em confronto com militantes de outras facções que desrespeitassem o pacto. A Brigada de Mártires de Al-Aqsa, um grupo violento ligado ao rival do Hamas, o grupo Fatah, assumiu a responsabilidade pelo ataque desta quinta. Em comunicado divulgado à imprensa, a Brigada afirma que "a trégua precisa incluir a Cisjordânia e todos os tipos de agressão precisam acabar."   A Cisjordânia é governada pelo moderado presidente palestino Mohammed Abbas, que perdeu o controle da Faixa de Gaza para o Hamas um ano atrás. Israel mantém conversações de paz com Abbas, mas ao mesmo tempo tem reprimido os militantes na Cisjordânia porque não está contente com a repressão da autoridade palestina aos militantes do território.   O cessar-fogo na Faixa de Gaza é uma tentativa de evitar uma invasão israelense do território, que Israel evacuou em 2005 após uma ocupação militar de 38 anos. Ataques da Faixa de Gaza contra o sul de Israel tiveram um incremento após a retirada israelense e sofreram uma verdadeira escalada após o Hamas tomar o controle do território. Desde a tomada do poder pelo Hamas, mais de 400 palestinos, inclusive dezenas de civis e crianças, e sete israelenses foram mortos nos bombardeios e combates.   A violação da trégua nesta quinta-feira ocorreu no mesmo momento em que um enviado israelense foi ao Egito para acertar com o governo egípcio o último tópico do acordo - uma possível troca entre centenas de prisioneiros palestinos por um soldado israelense que o Hamas capturou há dois anos. Israel em princípio não concordou com a demanda do Hamas, ao dizer que a lista de prisioneiros apresentada pelo grupo tem muitas pessoas envolvidas em ataques letais contra israelenses.   Segundo o acordo, a trégua deverá durar seis meses. O Hamas também pediu a Israel que reabra o estratégico posto de fronteira de Rafah, com o Egito, na fase final do acordo. O cruzamento de Rafah foi fechado após o Hamas tomar o controle, o que confinou os 1,4 milhão de habitantes da Faixa de Gaza no estreito território às margens do Mediterrâneo e também impediu a importação de alimentos do Egito. Israel afirma que só reabrirá a passagem quando o soldado seqüestrado pelo Hamas voltar para casa.     Matéria atualizada às 14h20.

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