Militantes xiitas iraquianos lutam na Síria ao lado de Assad

- Dezenas de militantes iraquianos xiitas estão lutando na Síria, muitas vezes ao lado de soldados do presidente Bashar al-Assad, e prometendo lealdade ao líder religioso xiita supremo do Irã, de acordo com milicianos e políticos no Iraque.

SUADAD AL-SALHY, Reuters

16 de outubro de 2012 | 14h15

O envolvimento da milícia xiita do Iraque no conflito da Síria expõe quão rapidamente a crise culminou em uma guerra entre o principal aliado de Assad, o Irã xiita, e os países sunitas do Golfo Pérsico que apoiam principalmente os rebeldes sunitas que lutam contra o presidente.

O conflito já trouxe um fluxo de combatentes sunitas islamitas de toda a região atraídos pela causa rebelde, enquanto do outro lado rebeldes sírios acusam o xiita Hezbollah, do Líbano, de apoiar as tropas de Assad em terra.

Para os xiitas iraquianos que seguem o aiatolá iraniano Ali Khamenei, o levante na Síria ameaça a influência xiita e iraquianos no combate afirmam sentir o dever de ajudar Assad por causa da sua lealdade à mais alta autoridade da República Islâmica.

Entre eles, estão desertores e ex-combatentes do Exército Mehdi do clérigo iraquiano anti-EUA Moqtada al-Sadr, do grupo Badr apoiado pelo Irã, do Asaib al-Haq e do Kata'ib Hezbollah, milícias que já travaram uma sangrenta guerra contra as tropas norte-americanas, dizem militantes xiitas e políticos iraquianos.

Políticos xiitas afirmam que os militantes que lutam na Síria não têm sanção oficial da liderança da milícia ou do governo do Iraque liderado por xiitas, que se viu em um equilíbrio delicado entre seu aliado Teerã e as potências ocidentais e árabes que pedem a saída de Assad.

Alguns dos militantes iraquianos são ex-combatentes do Exército Mehdi que se refugiaram na Síria depois de 2007, quando seu grupo foi esmagado pelas forças iraquianas. Outros, leais a Khamenei como uma autoridade religiosa, atravessaram a fronteira recentemente, contam combatentes e políticos iraquianos.

"Formamos a brigada Abu al-Fadhal al-Abbas, que inclui 500 iraquianos, sírios e algumas outras nacionalidades", disse um desertor iraquiano do Exército Mehdi, que atende pelo nome de Abu Hajar, à Reuters por telefone via satélite da Síria.

Outro desertor do Exército Mehdi, Abu Mujahid, disse que a missão do seu grupo na Síria era restrita a proteger o famoso santuário xiita Sayyida Zeinab e seus bairros vizinhos xiitas, mas, às vezes, eles realizam ataques preventivos contra rebeldes do Exército Livre da Síria.

MÁRTIRES E TORTURA

Rebeldes sírios consideram os militantes xiitas uma milícia pró-Assad. Alguns foram capturados e mortos em combate, disseram militantes e famílias locais no Iraque.

Abu Mujahid, Abu Hajar e políticos iraquianos xiitas com conhecimento das milícias contaram que aqueles que foram para a Síria eram voluntários individuais que viajam com os seus próprios passaportes através de rotas regulares.

Eles relataram que havia contatos responsáveis por receber e organizar voluntários, armando-os e encaminhando-os para as missões, mas todos estavam enfrentando o problema do financiamento, com a maior parte dos recursos vindo de alguns comerciantes iraquianos na Síria.

Líderes da organização Badr, do Asaib al-Haq e do Exército Mehdi disseram à Reuters que não haviam enviado combatentes para a Síria porque acreditam que a revolta era um assunto interno. O envio seria uma intervenção nos assuntos sírios.

O Iraque diz que tem uma política de não-interferência na Síria -- mas fica perto da posição de Teerã por se recusar a apoiar as demandas ocidentais e da Liga Árabe para retirada de Assad, cuja seita alauíta minoritária é um desdobramento do islamismo xiita.

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