Militares dizem que Turquia atacou rebeldes curdos no Iraque

Caças e tropas estão bombardeando terroristas do outro lado da fronteira; incursão teria matado 34 militantes

Agências internacionais,

24 de outubro de 2007 | 06h47

Caças e tropas terrestres da Turquia atacaram posições rebeldes curdas dentro do Iraque entre domingo e a noite de terça-feira, 24, disseram fontes militares à Reuters nesta quarta. A imprensa turca também afirmou que o Exército realizou os seus primeiros ataques contra posições do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, sigla em curdo) no norte do país. Veja também: Iraque promete combater rebeldes curdosTurquia pode invadir 'a qualquer momento'Turquia rejeita trégua proposta por rebeldes Rebeldes curdos do PKK anunciam cessar-fogoEntenda o conflito entre turcos e curdos  ''Turquia tem direito de defender-se''   Turquia pode ignorar apelos e lançar ofensiva  Segundo os militares, os aviões chegaram a entrar 20 km no território iraquiano e cerca de 300 soldados avançaram aproximadamente 10 km, matando 34 supostos rebeldes do PKK. Elas esclareceram que pequenas incursões deste tipo já ocorreram no passado na área de fronteira entre os dois países e que não se trata da ofensiva de grande escala que autoridades dos Estados Unidos e do Iraque tentam evitar. Segundo um oficial, todos os soldados turcos envolvidos na ação já estão de volta à Turquia.  "Tropas turcas entraram no Iraque para eliminar os terroristas que mataram soldados turcos no recente ataque em Hakkari", diz em sua primeira página o jornal Yeni Safak. A notícia acrescenta que aviões F-16 e artilharia estão bombardeando "bases terroristas" do outro lado da fronteira. O jornal afirma além disso que 8 mil soldados turcos invadiram várias bases do PKK após bombardeios com aviões F-16 e helicópteros Cobra. O Zaman, outro jornal próximo ao Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), afirma nesta quarta-feira que "vários helicópteros militares turcos levaram ao norte do Iraque unidades de comando como parte da operação para vingar o ataque terrorista do domingo passado". Sites próximos ao PKK e a agência Firat News publicaram fotos dos oito soldados capturados pelo comando do PKK. A imprensa turca optou por não publicar as imagens para não "desmoralizar" a opinião pública. Mas garante que a maior parte dos soldados parece estar em boas condições físicas. O governo iraquiano, pressionado a impedir os guerrilheiros curdos de usar as montanhas do norte do Iraque como base para seus ataques na Turquia, prometeu ontem fechar os escritórios do grupo rebelde Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), conter seus movimentos e bloquear seus fundos.  No entanto, Bagdá deu poucos detalhes sobre como impedirá os separatistas curdos de lançar seus ataques contra o território turco. Analistas dizem que uma ação iraquiana eficaz contra os rebeldes curdos necessitaria do envolvimento das forças americanas no Iraque, algo que Washington está muito relutante em aceitar. A Turquia estima que 3 mil rebeldes do PKK, incluindo seus líderes, estejam nas montanhas do norte do Iraque. O governo turco atribui ao PKK a morte de mais de 30 mil pessoas desde 1984, quando o grupo separatista iniciou sua luta armada pela criação de um Estado curdo independente. O ataque lançado no domingo pelos rebeldes do PKK contra o território turco, que deixou 12 soldados mortos, aumentou a pressão interna sobre o governo de Ancara para que lance uma ofensiva militar contra os separatistas - autorizada na semana passada pelo Parlamento.

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