Militares israelenses recomendarão trégua de 48 horas em Gaza

Jornal afirma que casa de um dos comandantes do Hamas foi atacada durante bombardeios contra palestinos

Agências internacionais,

30 de dezembro de 2008 | 14h11

A inteligência militar da Defesa de Israel deverá recomendar ao primeiro-ministro interino do país, Ehud Olmert, que busque uma iniciativa diplomática para suspender a guerra contra o grupo militante Hamas e fechar uma trégua de 48 horas, que seria firmada para verificar se o grupo islâmico realmente suspenderia o disparo de foguetes contra Israel - se isso não ocorrer, Israel então desfecharia a invasão terrestre da Faixa de Gaza.   Veja também: Egito recusa abertura da fronteira com a Faixa de Gaza Israel rejeita trégua e diz que esta é 'só a 1ª fase' UE pede a Israel e Hamas que suspendam ataques   Lapouge: Israel quer restabelecer orgulho militar   Sete mil se alistam no Irã para atentados suicidas contra Israel Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos Veja imagens de Gaza após os ataques      Funcionários graduados da Defesa acreditam que esse processo diplomático não deverá ser um gesto unilateral de Israel, mas deveria se basear em uma iniciativa originalmente proposta pelo ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner. O objetivo da trégua temporária seria verificar se o Hamas poderá controlar e acabar com o disparo de foguetes contra território israelense. A iniciativa é vista, entre os oficiais israelenses, como a última capaz de evitar uma invasão terrestre em larga escala da Faixa de Gaza, território onde vivem apinhados 1,4 milhão de palestinos. Segundo o Haaretz, o governo de Israel anunciará sua decisão sobre a trégua temporária nas próximas horas desta terça-feira.   Um oficial israelense disse à Associated Press que a proposta de trégua temporária será discutida em um encontro do gabinete na quarta-feira. O canal 10 da televisão israelense também informou a proposta de cessar-fogo. Ao mesmo tempo, o gabinete também deverá considerar vários planos para uma invasão terrestre de larga escala, disse o oficial israelense. Enquanto isso, os militantes palestinos continuam com o disparo de foguetes contra cidades israelenses, apesar dos ataques aéreos de Israel continuarem nesta terça-feira. Militantes israelenses informaram que desde que começou a ofensiva de Israel contra a Faixa de gaza, no sábado, os militantes dispararam mais de 250 foguetes, que mataram quatro cidadãos israelenses.   Nesta terça-feira, aviões bombardearam um complexo governamental do Hamas, que o grupo islâmico havia evacuado no início da ofensiva. Israel também bombardeou instalações de segurança. Mais de 370 palestinos foram mortos desde o início das operações no sábado contra o Hamas na Faixa de Gaza. Muitos integravam o Hamas, Masa pelo menos 64 eram civis, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU). Entre os civis mortos estavam duas irmãs, de 4 e 11 anos, mostras nesta terça-feira durante um bombardeio israelense no norte da Faixa de Gaza.   Segundo o jornal, um dos ataques israelenses atingiu o campo de refugiados em Jabaliya, matando sete pessoas, mas ativistas do Hamas não estava no local, segundo apontaram fontes de segurança da facção e familiares ao jornal. Outro ataque em Jabaliya atingiu a casa de Abdel-Karim Jaber, líder político do Hamas apontado como Administrador da Universidade Islâmica de Gaza, um dos símbolos do grupo. Ele não estava na residência no momento do bombardeio e ainda não está claro que o ataque deixou vítimas. Segundo o porta-voz da Jihad Islâmica, um comandante do grupo foi morto enquanto caminhava nos arredores de sua casa.         O primeiro-ministro interino de Israel, Ehud Olmert, disse ao presidente Shimon Peres que a fase aérea da operação é "a primeira de várias" que foram aprovadas pelo gabinete. "Sionistas, esperem por mais resistência", disse nesta terça-feira o porta-voz do Hamas, Ismail Radwan, em mensagem de texto aos repórteres. Os aviões israelenses despejaram pelo menos doze bombas no complexo governamental do Hamas. Os moradores, intuindo que o complexo seria bombardeado, abandonaram a vizinhança no sábado. Ainda não está claro se pessoas ficaram soterradas sob as ruínas do complexo.   Nesta terça-feira, o presidente do Egito, Hosni Mubarak, fez um discurso de cadeia nacional de televisão para dizer que não abrirá a fronteira com a faixa de Gaza, embora tenha dado a permissão para o tratamento de feridos em hospitais do Sinai e permitido que alimentos e remédios sejam enviados ao território palestino sitiado. Mubarak disse que só abrirá a fronteira quando o presidente palestino Mahmud Abbas retomar o controle da Faixa de Gaza, que perdeu para o Hamas em meados de 2007. Mubarak tem se incomodado com a presença dominante de um grupo islâmico em um território vizinho e teme que a força do Hamas insufle os dissidentes islâmicos no Egito. Israel permitiu a passagem de 100 caminhões com ajuda humanitária à Faixa de Gaza, bem como de cinco ambulâncias turcas, informaram militares.

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