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Ministro chama Ahmadinejad de 'ditador' e apela por vida de Sakineh

Segundo Paulo Vannuchi, governo brasileiro continuará negociando asilo de iraniana com Teerã

estadão.com.br,

16 de agosto de 2010 | 19h40

SÃO PAULO- O ministro dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, chamou de "ditador" nesta segunda-feira, 16, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, e disse que o governo brasileiro continua negociando com Teerã para que Sakineh Mohamadi Ashtiani, condenada à morte por adultério e envolvimento no assassinato de seu marido, seja enviada ao Brasil na condição de asilada ou refugiada política.

 

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O governo do Irã questionou hoje as "consequências" da oferta brasileira para asilar a iraniana, por meio de um comunicado de sua embaixada no Brasil. Ontem, o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad disse não ver necessidade de tal medida e que autoridades do Poder Judiciário do país também são contrárias a ao pedido brasileiro.

 

"O governo Lula está pressionando diplomaticamente o governo iraniano para que permita que ela venha para o Brasil. E se esse ditador (Ahmadinejad) tiver um mínimo de bom senso, deveria permitir que ela venha morar no Brasil e seja salva", disse o ministro.

 

Para Vannuchi, o Brasil é o único país que pode negociar com o Irã após Lula e o governo turco terem mediado as negociações entre Teerã e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre o programa nuclear iraniano.

 

O ministro também afirmou que os direitos humanos estão acima de questões culturais. "A ideia de que o preceito cultural tem que ser mantido nos levaria a tolerar o infanticídio, por exemplo, e não podemos aceitar isso, como não podemos aceitar a amputação de clitóris promovida por países muçulmanos. Tem que questionar e discutir isso, mas não com tanques de guerra e sim com o diálogo, pressionando (de forma a fazer ver) que não se pode condenar alguém ao apedrejamento", disse.

 

Vannuchi, no entanto, defendeu a política externa do governo brasileiro, sustentando que a maior proximidade com os governos iraniano, venezuelano e cubano - acusados de violarem direitos humanos - não representam qualquer contradição no campo dos direitos humanos.

 

Consequências

 

Em um comunicado da embaixada do Irã no Brasil, Teerã perguntou se "o Brasil precisa ter (...) um lugar para criminosos de outros países. "Quais são as consequências desse tipo de tratamento a criminosos e assassinos?", e "este ato não incentivará criminosos a praticar crimes?", são algumas das perguntas feitas na nota.

 

Teerã, no entanto, considera o apelo de asilo humanitário feito por Lula como "um pedido de um país amigo", que atribuiu a "sentimentos puramente humanitários" do presidente brasileiro.

 

Sakineh foi condenada em 2006 por manter relações ilícitas com dois homens após ficar viúva, o que, segundo a lei islâmica, também é considerado adultério. Primeiramente, a pena foi de 99 chibatadas, depois convertida em morte por apedrejamento.

 

Em julho deste ano, seu advogado Mohammad Mostafaei tornou público o caso em um blog na internet, o que chamou a atenção da comunidade internacional. Perseguido pelas autoridades iranianas, ele fugiu para a Turquia, de onde buscou asilo político na Noruega.

 

O governo brasileiro ofereceu refúgio a Sakineh, o que foi rejeitado por Teerã. A pena de morte foi mantida por um tribunal de apelações, que acrescentou ao caso a acusação de conspiração para a morte do marido. O destino de Sakineh deve ser definido no dia 21 de setembro.

 

Com Agência Brasil e agências internacionais

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