Ministro culpa Síria por ataque a general do Exército libanês

François al-Hajj era o possível substituto na chefia da Arma para o principal candidato à Presidência do País

Agências internacionais,

12 de dezembro de 2007 | 14h01

Políticos anti-Síria culparam o governo de Damasco pelo atentado que matou o general François al-Hajj, chefe de operações do Exército, e seus quatro guarda-costas nesta quarta-feira, 12. O ataque afastou o militar da disputa para suceder no comando do Exército o general Michel Suleiman, que deve ser eleito presidente do país na próxima semana.     Veja também: Cronologia dos atentados terroristas  Sucessão no Líbano preocupa Conselho da ONU Atentado mata general do Exército   O ministro das Telecomunicações, Marwan Hamadeh, afirmou que o "eixo Síria-Irã" era o responsável pelo ataque, que atingiu o Exército, "o único organismo no Líbano que pode balancear o poder do Hezbollah e de milícias no país". Este é o primeiro ataque contra alvos das Forças Armadas desde a guerra civil libanesa.   Indo na contra-mão do ministro, a Síria criticou o assassinato. Segundo a agência de notícias do país, uma autoridade síria disse que Israel e suas "ferramentas no Líbano" se beneficiariam da explosão.   Além disso, a guerrilha xiita pró-Síria Hezbollah conclamou os libaneses a "unirem-se em torno do Exército, a darem apoio ao papel dele no país e a trabalharem de forma séria e eficiente rumo a um consenso político".   Apesar da troca de acusações, nenhum grupo assumiu a responsabilidade pelo assassinato. O New York Times, no entanto, chama a atenção para o fato de o general ter sido um dos responsáveis pela forte ofensiva contra o Fatah al Islam, grupo militante inspirado na Al-Qaeda que atuava em um campo de refugiados palestino ao norte Tripoli.   O bloco governista libanês acusa a Síria de interferir na política libanesa e de estar por trás de uma série de assassinatos de críticos do regime sírio, inclusive o ex-premiê Hafik Hariri, em 2005. O impasse é a pior crise política no Líbano desde o fim da guerra civil (1975-1990). E o atentado aumenta ainda mais as tensões em um país paralisado há mais de um ano, desde o fim da guerra entre o Hezbollah e Israel.     Impasse político   O atentado vem em um momento delicado na situação política libanesa. O país está sem presidente desde o dia 23 de novembro, quando o governante pró-Síria Emile Lahoud deixou o cargo depois de nove anos no poder. A oposição pró-Síria, liderada pelo Hezbollah, e o bloco pró-ocidental governista, que detém a maioria no Parlamento, não conseguem chegar a um acordo para eleger um novo presidente.   No entanto, nas últimas semanas, tanto o governo como a oposição pareciam ter chegado a um acordo para colocar o general Michel Suleiman na presidência.   Hajj é a nona vítima de uma série de assassinatos iniciada com a morte, em 2005, do ex-primeiro-ministro Rafik al-Hariri. O militar de 54 anos era apontado como um dos dois principais candidatos para o cargo de chefe do Exército, ocupado tradicionalmente por um cristão maronita. O posto ficará vago se o Parlamento eleger Suleiman presidente em uma votação adiada várias vezes e agora marcada para ocorrer na segunda-feira.   Políticos da coalizão governista aliada ao Ocidente e políticos da oposição liderada pelo Hezbollah criticaram o ataque. "A mais recente explosão criminosa é um elo da corrente terrorista dirigida contra o Líbano e suas instituições, e em especial contra o Exército nacional, que hoje paga o preço por defender a soberania, a independência e o livre arbítrio do país", disse em um comunicado Saad al-Hariri, líder do bloco majoritário no Parlamento.

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