Ministro da Defesa afegão renuncia

O ministro afegão da Defesa, Abdul Rahim Wardak, renunciou na terça-feira, após sofrer uma moção de desconfiança no Parlamento, deixando o presidente Hamid Karzai com um grave problema num momento em que os insurgentes estão intensificando seus ataques.

MIRWAIS HAROONI E ABDUL AZIZ IBRAHIMI, Reuters

07 de agosto de 2012 | 11h07

Wardak, responsável pela supervisão das Forças Armadas, disse a jornalistas que acataria a decisão parlamentar, e por isso renunciaria, potencialmente tumultuando os esforços da Otan para transferir as responsabilidades de segurança às forças locais até o final de 2014.

"Respeitei a decisão do Parlamento de me nomear duas vezes ministro da Defesa, e agora aceito a decisão do Parlamento de me afastar", disse Wardak a jornalistas.

O governo de Karzai, cada vez mais impopular, já estava às voltas com um escândalo envolvendo o ministro das Finanças, Hazarat Omar Zakhilwal, acusado pela TV local de ter acumulado mais de 1 milhão de dólares em contas no exterior.

O dividido Parlamento votou no sábado pela destituição de Wardak e do ministro do Interior, Bismillah Mohammadi, por causa dos recentes assassinatos de altos funcionários por insurgentes, e de ataques transnacionais atribuídos ao Paquistão.

Karzai optou por mantê-lo interinamente, numa tentativa de preservar a estabilidade, mas o caráter imediato da renúncia de Wardak deixa um vazio em um dos cargos mais importantes do gabinete, justamente quando a insurgência chega à sua época mais ativa, e EUA e França já retiraram grande parte das suas tropas.

Não ficou claro quando Karzai conseguirá substituir seu ministro, um veterano general de quatro estrelas, membro da etnia pashtun e oriundo da província de Wardak, no leste. Diplomatas ocidentais dizem que o ministro foi um dos principais responsáveis por fazer do Exército afegão uma força eficaz contra os insurgentes.

Ao definir um sucessor, Karzai precisará levar em conta o equilíbrio étnico do gabinete, e também conquistar o apoio de parlamentares necessários para a campanha anticorrupção que ele prometeu a doadores ocidentais.

"Os próximos movimentos de Karzai serão observados bem de perto por muitos lados, em particular no contexto dos seus recentes anúncios de uma longa lista de novas medidas 'reformistas' e anticorrupção", disse Fabrizio Foschini, da respeitada Rede de Analistas Afegãos.

"Karzai terá de operar cuidadosamente. Já há resmungos sobre a solução provisória de manter dois funcionários 'impeachados' como ministros interinos, embora isso possa ter sido principalmente motivado pela necessidade de evitar problemas nos órgãos de segurança numa etapa crítica da transição", disse ele em um blog.

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