Ministro da Defesa de Israel considera trégua de 48 horas

Porta-voz afirma que cessar-fogo com objetivo humanitário não impede ofensiva terrestre na Faixa de Gaza

Agência Estado e Dow Jones,

30 de dezembro de 2008 | 18h36

O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, "considera favoravelmente" a proposta para um cessar-fogo de 48 horas dentro e nos arredores da Faixa de Gaza, informou o porta-voz do ministro à AFP nesta terça-feira, 30. "O ministro considera favoravelmente a proposta para um cessar-fogo com objetivos humanitários", disse Moshe Ronen. Ele deixou claro que se referia a uma proposta da França feita para a trégua de 48 horas."Mas isso, de maneira nenhuma, nos impede de preparar uma ofensiva terrestre", contra a Faixa de Gaza, ele acrescentou.   Veja também: 1º NA WEB: Não dá para sair na rua, diz brasileira  Israel nega existência de plano de trégua em Gaza Em Curitiba, palestino não pode voltar para casa  Lula: ONU não tem coragem para pôr paz em Gaza  Egito recusa abertura da fronteira com a Faixa de Gaza Israel rejeita trégua e diz que esta é 'só a 1ª fase' UE pede a Israel e Hamas que suspendam ataques   Lapouge: Israel quer restabelecer orgulho militar   Sete mil se alistam no Irã para atentados suicidas contra Israel Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos Veja imagens de Gaza após os ataques      Mais cedo, o serviço de segurança israelense Shin Bet e Forças de Defesa negaram as informações de que a inteligência militar da Defesa planejaria recomendar uma trégua de 48 horas contra os militantes palestinos do Hamas, segundo afirma a edição do jornal israelense Haaretz. O premiê israelense, Ehud Olmert, disse nesta terça que a ofensiva contra a Faixa de Gaza continuará pelo tempo que for necessária para alcançar os objetivos do gabinete da Defesa em desestabilizar o regime do Hamas. "A ofensiva começou e não terminará e até que nossos objetivos sejam alcançados, seguiremos de acordo os planos", afirmou. As declarações do premiê foram feitas em resposta às supostas recomendações de trégua.   Segundo informou a imprensa, Israel estuda interromper momentaneamente sua ofensiva em Gaza para dar uma oportunidade para verificar se o grupo islâmico realmente suspenderia o disparo de foguetes contra Israel - se isso não ocorrer, Israel então desfecharia a invasão terrestre da Faixa de Gaza. Funcionários graduados da Defesa acreditam que esse processo diplomático não deverá ser um gesto unilateral de Israel, mas deveria se basear em uma iniciativa originalmente proposta pelo ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner. A iniciativa é vista, entre os oficiais israelenses, como a última capaz de evitar uma invasão terrestre em larga escala da Faixa de Gaza, território onde vivem 1,4 milhão de palestinos. Segundo o Haaretz, o governo de Israel anunciaria sua decisão sobre a trégua temporária nas próximas horas desta terça-feira.     O ministro de Infra-estrutura Binyamin Ben-Eliezer condenou as informações sobre a suposta proposta de trégua, afirmando que 48 horas permitiriam que o Hamas se reorganizasse. "O Hamas ainda não sofreu danos suficientes nos ataques recentes", afirmou. Enquanto isso, o governo afirmou que está preparado para trabalhar com a França e outros países para aumentar a ajuda humanitária na Faixa de Gaza. "Queremos ver comboio atrás de comboio de ajuda humanitária e desejamos trabalhar com todos as partes internacionais relevantes para facilitar esse objetivo", afirmou o porta-voz de Olmert, Mark Regev, questionado sobre a proposta francesa de trégua. "Ao mesmo tempo, é importante manter a pressão ao Hamas, sem dar tempo para que eles se reagrupem e reorganizem", afirmou.   Enquanto isso, os militantes palestinos continuam com o disparo de foguetes contra cidades israelenses, apesar dos ataques aéreos de Israel também terem prosseguido nesta terça-feira. Militares israelenses informaram que desde que começou a ofensiva de Israel contra a Faixa de Gaza, no sábado, os militantes da Faixa de Gaza dispararam mais de 250 foguetes, que mataram quatro cidadãos israelenses.   Nesta terça-feira, aviões israelense bombardearam um complexo governamental do Hamas, que o grupo islâmico havia evacuado no início da ofensiva. Israel também bombardeou instalações de segurança. Mais de 360 palestinos foram mortos desde o início das operações no sábado contra o Hamas na Faixa de Gaza. Muitos integravam o Hamas, mas pelo menos 64 eram civis, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU). Entre os civis abatidos estavam duas irmãs, de 4 e 11 anos, mortas nesta terça-feira durante um bombardeio israelense no norte da Faixa de Gaza.   O primeiro-ministro interino de Israel, Ehud Olmert, disse mais cedo ao presidente Shimon Peres que a fase aérea da operação é "a primeira de várias" que foram aprovadas pelo gabinete. "Sionistas, esperem por mais resistência", disse nesta terça-feira o porta-voz do Hamas, Ismail Radwan, em mensagem de texto aos repórteres.   Os aviões israelenses despejaram pelo menos doze bombas no complexo governamental do Hamas. Os moradores, intuindo que o complexo seria bombardeado, abandonaram a vizinhança no sábado. Ainda não está claro se pessoas ficaram soterradas sob as ruínas do complexo.   Grupos armados palestinos atingiram com um foguete a cidade israelense de Be'er Sheva, a cerca de 40 quilômetros da Faixa de Gaza. Este foi o disparo de maior alcance contra território israelense até o momento, informou a polícia. Não foram registrados danos materiais ou vítimas mortais. O local, de aproximadamente 180 mil habitantes, e a localidade beduína de Rahat, não tinha sido atingido pelos foguetes palestinos até esta terça. Os grupos armados de Gaza aumentaram a distância de seus lançamentos com o uso de foguetes de tipo Grad, cujas peças entram na Faixa de Gaza através dos túneis subterrâneos com o Egito. Seu alcance é maior que os projéteis Qassam.   Nesta terça-feira, o presidente do Egito, Hosni Mubarak, fez um discurso de cadeia nacional de televisão para dizer que não abrirá a fronteira com a Faixa de Gaza, embora tenha dado a permissão para o tratamento de feridos em hospitais do Sinai e permitido que alimentos e remédios sejam enviados ao território palestino sitiado. Mubarak disse que só abrirá a fronteira quando o presidente palestino Mahmud Abbas retomar o controle da Faixa de Gaza, que perdeu para o Hamas em meados de 2007. Mubarak tem se incomodado com a presença dominante do Hamas em um território vizinho e teme que a força do grupo insufle os dissidentes islâmicos no Egito.   (Com agências internacionais)

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