Ministro da Defesa de Israel critica plano de demolição de casas palestinas

Ehud Barak diz que 'falta timing e bom senso' às autoridades municipais de Jerusalém

estadão.com.br

23 de junho de 2010 | 10h02

JERUSALÉM - O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, criticou nesta quarta-feira, 23, a prefeitura de Jerusalém pelo anúncio do plano de derrubar 20 casas palestinas na porção oriental da cidade, já que considerou a medida prejudicial aos esforços para dar continuidade às negociações de paz com os palestinos. As informações são do jornal britânico The Guardian.

 

Barak, em visita a Washington, retomou a polêmica sobre as moradias de palestinos e judeus em Jerusalém e disse que o projeto de derrubar as casas para o estabelecimento de um sítio arqueológico deveria ter sido adiado. Os EUA anunciaram na terça que a decisão ameaça as recém retomadas negociações entre Israel e a Autoridade Nacional Palestina (ANP), cujos mediadores são as autoridades americanas.

 

"O projeto, que foi aguardado por 3 mil anos, pode esperar outros três ou nove meses se as política do governo considerar que esse tempo seja necessário", disse o ministro israelense. Barak ainda disse que as autoridades de Jerusalém mostraram "falta de bom senso e 'timing', e que essa não foi a primeira vez".

 

As autoridades palestinas reprovaram a decisão israelense. "Israel continua com sua política de assentamentos em Jerusalém Oriental e ameaça prejudicar os esforços dos EUA para promover as negociações", disse Saeb Erekat, o principal negociador palestino.

 

O governo americano também se mostrou descontente com a aprovação do plano e teve "inúmeras conversas" com os israelenses sobre o assunto, segundo informou o porta-voz do Departamento de Estado, P.J. Crowley. "Esse é o tipo de atitude que mina a confiança fundamental para progredirmos nas conversas de paz", disse o representante.

 

A questão dos assentamentos judaicos e a situação dos palestinos em Jerusalém Oriental é um dos principais pontos de discussão entre as duas partes. O plano envolve a demolição de 22 casas palestinas e a construção de um centro arqueológico turístico. Posteriormente, outras 66 casas seriam construídas. Os palestinos se opõem ao projeto, pois creem que seu objetivo é fortalecer a presença dos assentamentos judaicos na área.

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