Ministro diz que 'se necessário' Israel voltará a atacar Hamas

Ehud Barak afirma esperar que trégua continue, mas que país está preparado para agir se grupo lançar foguetes

AP e Reuters,

30 de janeiro de 2009 | 16h53

O ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, disse nesta sexta-feira, 30, que Israel atacará os militantes do grupo islâmico Hamas novamente se necessário. Barak disse esperar que a trégua - firmada para encerrar a ofensiva de 22 dias de Israel - continue, mas que seu país está preparado para agir novamente se o grupo voltar a lançar foguetes contra o sul de Israel. "O Hamas foi atingido como nunca. Se tivermos que atacá-los novamente, atacaremos", afirmou Barak à televisão israelense.   Israel lançou uma operação em Gaza em 27 de dezembro, para forçar o Hamas, que controla a região, a parar de atirar foguetes contra cidades ao sul de Israel. Cerca de 1.300 palestinos foram mortos, entre os quais mais de 700 civis, segundo grupos em de direitos humanos. Mais de 4 mil pessoas ficaram feridas e milhares desabrigadas.   Veja também: Enviado dos EUA alerta para 'retrocessos' no Oriente Médio Premiê turco é recebido como herói após discutir com Israel Linha do tempo dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  História do conflito entre Israel e palestinos  Imagens das crianças em meio à destruição em Gaza        Ainda nesta sexta-feira, autoridades em Jerusalém afirmaram ao jornal Haaretz que Israel deve continuar lançando pequenos ataques contra o Hamas e outras organizações militantes palestinas em Gaza. Segundo o jornal, a decisão surgiu após consultas entre oficiais do gabinete de segurança e altos funcionários da Defesa e, de acordo com uma das fontes ouvidas pelo diário, as hostilidades são necessárias para que o Hamas saiba que os ataques contra o território israelense não ficarão sem resposta.   O primeiro bombardeio israelense após a trégua foi feito na terça-feira, depois da morte de um soldado em uma explosão na região da fronteira com Gaza. Desde então, Israel promoveu diversas retaliações. A última, que feriu a maioria crianças, seria contra Mohammed Samiri, militante acusado por Israel de envolvimento no ataque contra uma patrulha que matou um militar israelense.   Nova liderança   O Hamas quer uma nova liderança para os palestinos que substitua a Organização para Libertação da Palestina (OLP), dirigida por seu arquirrival, o presidente Mahmoud Abbas, e facções leais a ele. Declarando vitória na guerra devastadora com Israel, o grupo militante está retomando o controle da faixa e o posto de desafio central ao moderado Abbas.   Milhares de partidários do Hamas participaram de manifestações em Gaza na sexta-feira em apoio à convocação para abolir a OLP, feita há dois dias pelo líder do grupo no exílio, Khaled Meshaal. Ele defende a formação de uma nova organização para representar os palestinos em Gaza, na Cisjordânia e na diáspora. A proposta do líder ecoou em declarações similares feitas à multidão na sexta-feira vindas de um importante líder político do Hamas, Khalil al-Hayya.   Na primeira aparição pública de um importante líder do Hamas em Gaza desde que Israel atacou em 27 de dezembro, Hayya afirmou que a OLP está "morta" e foi enviada ao "necrotério" pelos próprios fundadores da organização. "Já é hora de o povo palestino ter uma nova liderança. Estamos nos movimentando para abrigar as causas dos refugiados e de Jerusalém. Não vamos abrir mão de nossos direitos", disse ele.   "Já é hora de nosso povo ver uma liderança nova e sábia que mantenha a resistência e o rifle", continuou ele. O Hamas, que governa 1,5 milhão de palestinos que vivem na Faixa de Gaza, compromete-se a lutar contra o Estado de Israel, o qual não reconhece.   Abbas, que tem apoio do Ocidente, busca criar um Estado palestino que conviva de forma pacífica com Israel. Ele governa a Cisjordânia, que está ocupada pelos israelenses, onde moram 2,5 milhões de palestinos. Ele também chefia a OLP.Abbas acusa Meshaal de tentar "derrubar uma estrutura construída há 44 anos."   A Fatah é a maior das 11 facções que formam a OLP, que assinou uma série de acordos de paz com Israel desde 1993 com o objetivo de estabelecer um Estado palestino.

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