Ministro do petróleo iraniano é substituído

O presidente iraniano, MahmoudAhmadinejad, substituiu o ministro do Petróleo, KazemVaziri-Hamaneh, no domingo, uma medida que analistas vêem comoum sinal de suas intenções de aumentar seu controle naindústria, que é a maior fonte de arrecadação do Irã. Agências de notícias do país receberam um comunicado dopresidente anunciando a mudança, sem explicar os motivos, masafirmando que o chefe da estatal Companhia de Petróleo NacionalIraniana (NIOC, na sigla em inglês), Gholamhossein Nozari,ocuparia o cargo provisoriamente. Uma autoridade do setor, que ainda não havia sido informadaoficialmente da substituição, afirmou que tal iniciativa nãodeveria marcar uma alteração nas políticas do Irã em assuntosda Opep, mas poderia ser um sinal de uma reestruturação naadministração do setor público pelo presidente, a queVaziri-Hamaneh se opunha. "Eu estou agradecendo pelo trabalho durante seu período noministério", cita a agência de notícias ISNA sobre a carta. O documento também diz que Vaziri-Hamaneh se tornaria umassessor do presidente em assuntos de energia no quarto maiorprodutor de petróleo do mundo, que ganhou mais de 50 bilhões dedólares de exportações brutas no ano até março, colhendo ganhosdo aumento de preços. O ministério foi recentemente acusado de fechar um acordopara a venda de gás para a Índia e Paquistão, via gasoduto, apreços muito baixos. Analistas dizem que a indústria do petróleo no Irã precisade uma grande injeção de investimentos estrangeiros paraalcançar as metas de aumento de produtividade acima dos atuais4 milhões de barris por dia. O ministro também terá que enfrentar o desafio deimplementar um racionamento de gasolina que gerou protestos emjunho. "MÁFIA DO PETRÓLEO" "O que poderá mudar se Nozari assumir o comando é quemuitas autoridades que previamente Vaziri-Hamaneh resistia emsubstituir serão substituídas", disse uma autoridade que pediupara não ser identificada. Analistas dizem que isso pode levar a maior oferta de novoscontratos de desenvolvimento de energia para empresasiranianas, que já têm maior atuação do que as estrangeiras. Empresas estrangeiras estão hesitantes em investir no Irãem meio a ameaças de uma terceira etapa de sanções da ONUdevido ao programa nuclear do país. Um analista iraniano afirmou que a troca do ministro pareceser parte de um plano maior do presidente para ganhar maiscontrole do setor. "(Ahmadinejad) está tentando exercer maiorinfluência", disse ele. Durante sua campanha de eleição, Ahmadinejad prometeucombater a "máfia do petróleo" no setor dominado por estataisdo país. (Reportagem adicional de Parisa Hafezi e Fredrik Dahl emTeerã e Simon Webb em Dubai)

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