Ministro iraniano diz que sanções são ineficazes

Mais sanções norte-americanas ou internacionais não vão convencer o Irã a abrir mão de seu programa nuclear e podem levar a um "confronto" com o Ocidente, disse o chanceler iraniano, Manouchehr Mottaki, em entrevista publicada na quinta-feira. Falando nesta semana à rádio pública dos EUA, Mottaki minimizou os dois conjuntos de sanções impostos pela Organização das Nações Unidas (ONU) ao Irã desde dezembro e disse que penalidades mais duras não vão funcionar. "No mundo de hoje, o instrumento das sanções não é mais efetivo", disse ele, segundo um texto no site da rádio pública, referindo-se à entrevista que será transmitida ainda na quinta-feira. Autoridades e especialistas dos EUA insistem há tempos que as sanções dos EUA e da ONU têm um efeito significativo sobre Teerã, especialmente sobre sua capacidade de acessar o sistema financeiro internacional. Uma terceira resolução com sanções está sendo discutida pelos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU --EUA, China, Grã-Bretanha, França e Rússia-- e pela Alemanha. Mottaki disse à rádio que a nova resolução não iria obrigar o Irã a suspender seu programa de enriquecimento de urânio, que os EUA e seus aliados dizem ser voltado para o desenvolvimento de armas nucleares, o que Teerã nega. "Será o começo de um confronto", alertou o chanceler, sem entrar em detalhes. A rádio citou importantes fontes oficiais do Irã segundo as quais o Irã poderia deixar de cooperar com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), que inspeciona instalações nucleares, ou então abandonar o Tratado de Não-Proliferação Nuclear. Uma ação militar para adiar a obtenção de capacidade nuclear é algo sempre discutido em Washington como uma possível opção dos EUA. Mas o texto da rádio descreve as autoridades iranianas como "supremamente confiantes" de que a turbulência no Iraque e a atual fraqueza política do presidente George W. Bush impeçam os EUA de atacar. "A liderança do Irã parece mais unida do que nunca a respeito do seu programa nuclear e como lidar com os desafios a ele", disse a reportagem. (Por Carol Giacomo)

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