Ministro israelense condena ataque de colonos a quartel

Um ministro israelense qualificou nesta terça-feira de "terrorista" um grupo de colonos judeus radicais que vandalizou um quartel do Exército na Cisjordânia ocupada.

MAAYAN LUBELL, REUTERS

13 de dezembro de 2011 | 14h32

O porta-voz militar Yoav Mordechai disse que houve vários "incidentes graves" na região após rumores de uma iminente ordem de desocupação de postos avançados de assentamentos judaicos, construídos ilegalmente na Cisjordânia.

Além da depredação no quartel, houve também um protesto dos colonos numa zona militar próxima à fronteira com a Jordânia.

Os incidentes indicam uma escalada de tensões entre o Exército e colonos nacionalistas radicais, que acreditam ter direito bíblico de viver onde quiserem em toda a Cisjordânia - região que os palestinos reivindicam como parte de seu eventual Estado.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu condenou o incidente, dizendo que "as forças de segurança deveriam estar focadas em defender os cidadãos, em vez de lidar com violações tão ultrajantes da lei".

O premiê posteriormente convocou uma reunião especial com ministros e assessores de segurança, segundo seu gabinete.

O ministro da Defesa Civil, Matan Vilnai, disse que os autores do ataque "são criminosos, terroristas judeus que estão fazendo mal aos soldados que os defendem e à segurança de Israel".

Já o ministro da Defesa, Ehud Barak, declarou em nota que as "ações violentas por parte de um grupo de criminosos extremistas carregam as características do terrorismo e são inaceitáveis".

Em setembro, colonos já haviam vandalizado um quartel na Cisjordânia em represália à demolição de estruturas no seu posto avançado. Colonos militantes também foram responsabilizados por incendiarem pelo menos cinco mesquitas da região neste ano.

Mordechai disse à Rádio Israel que os novos incidentes começaram quando "dezenas de ativistas de direita apedrejaram um (civil) palestino e veículos do Exército israelense". Eles então entraram no quartel, onde "xingaram, atiraram frascos de tinta, furaram pneus dos veículos do Exército e quebraram a janela de um carro."

Os colonos também jogaram pedras em um oficial de alta patente. A polícia disse que um colono foi preso, e que as autoridades buscam os demais agressores.

No outro incidente, colonos radicais invadiram uma zona militar perto da fronteira com a Jordânia, durante a noite, para fazer uma manifestação contra jordanianos que protestavam pela decisão de Israel de fechar uma passarela no local mais sagrado do islamismo, em Jerusalém.

Israel argumentou que a passarela de madeira no complexo da Cúpula da Rocha não tinha condições de segurança. A passarela era usada principalmente por turistas.

O colono Hananel Dorfman disse à Rádio do Exército que a manifestação "foi uma mensagem à Jordânia: não somos idiotas, parem de intervir nos nossos assuntos internos (...), ou nós vamos intervir nos de vocês".

As forças de segurança israelenses retiraram os manifestantes do local.

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