Ministro israelense prevê aumento de 50% de colonos na Cisjordânia até 2019

O número de colonos judeus na Cisjordânia ocupada por Israel pode aumentar até 50 por cento até 2019, afirmou um ministro ultranacionalista do Estado judaico.

DAN WILLIAMS, Reuters

16 de maio de 2014 | 10h36

Palestinos querem que a Cisjordânia seja parte de seu futuro Estado e culpam as expansões de assentamentos pelo rompimento, no mês passado, das conversações de paz com Israel - uma posição apoiada parcialmente pelo mediador dos Estados Unidos, mas rejeitada pelos israelenses.

O ministro de Construção e Habitação, Uri Ariel, membro do partido nacionalista Lar Judaico - integrante da coalizão conservadora do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu -, disse que as negociações sobre a criação do Estado da Palestina estavam quase agonizando e previu que a população de colonos crescerá.

“Acredito que em cinco anos haverá de 550 mil a 600 mil judeus na Judeia e na Samaria, acima dos 400 mil atuais”, disse ele a uma rádio de Tel-Aviv, utilizando o termo bíblico para a Cisjordânia, a qual muitos israelenses consideram um direito religioso e um bastião para sua segurança. A maioria das potências mundiais considera os assentamentos israelenses como ilegais.

Ariel disse que o número de israelenses no leste de Jerusalém estava entre 300 mil e 350 mil. Cerca de 2,5 milhões de palestinos vivem na Cisjordânia e no leste de Jerusalém, áreas que, com Faixa de Gaza, foram tomadas por Israel na guerra de 1967.

Durante os nove meses das fracassadas conversações de paz, Ariel publicou licitações para a construção de assentamentos, uma ação que, segundo os EUA, contribuiu para o impasse ao convencer o presidente palestino, Mahmoud Abbas, de que Netanyahu não estava sendo sério quanto à busca um acordo.

Os EUA também culpam Abbas por unilateralmente assinar 15 convenções que buscam avançar a independência do Estado palestino e por concordar em firmar um pacto de unidade com seu rival, o grupo islâmicos Hamas, que controla Gaza e se opõe à coexistência com o Estado judaico.

Netanyahu chegou a dizer que estaria disposto a ter uma futura Palestina na Cisjordânia, embora Israel queira anexar assentamentos e manter o Leste de Jerusalém.

O Lar Judaico, por sua vez, se opõe à própria criação do Estado Palestino, aumentando a especulação em Israel de que Netanyahu, no improvável evento de um avanço diplomático, expulsaria o partido de sua coalizão.

(Reportagem adicional de Missy Ryan)

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