Ministros da ANP acusam Israel de extrair órgãos de palestinos

Acusações surgem após divulgação de reportagem em que médico israelense confirma extrações em 1990

Efe,

20 de dezembro de 2009 | 14h12

Dois ministros da Autoridade Nacional Palestina (ANP) disseram neste domingo, 20, que Israel extraiu órgãos de palestinos que seu Exército havia matado, uma acusação que já gerou este ano turbulências diplomáticas entre a Suécia e o Estado judeu.

 

Em comunicado, o ministro da Saúde no Governo Mahmoud Abbas, Fathi Abu Mughli, assegurou que médicos israelenses "tiraram de corpos partes como córneas, ossos e pele sem permissão dos familiares".

 

Abu Mughli pediu ao Governo israelense que investigue o que qualificou de "ato ignominioso" e responda às acusações. Na mesma linha, Eissa Qaraqe, ministro de Assuntos dos Presos, defendeu que Israel esconde corpos de palestinos em cemitérios secretos e se recusa a entregá-los às famílias "para esconder o roubo de partes dos cadáveres".

 

"Uma máfia israelense comercializa órgãos dos corpos e algumas famílias palestinas receberam os corpos de seus filhos com alguns dos órgãos extraídos", assinalou Qaraqe.

 

As declarações chegam dois dias depois de o "Canal 2" da televisão israelense transmitir uma nova reportagem sobre a sistemática extração de órgãos na década de 90 no Instituto de Medicina Legal de Abu Kabir, em Tel Aviv.

 

A reportagem mostra declarações nas quais o ex-diretor do Instituto Abu Kabir de Medicina Legal de Israel, Yehuda Hiss, confirma que retirou pele e córneas de corpos nos anos 90 sem a permissão das famílias.

 

Investigado em duas ocasiões pelo caso, mas nunca julgado, Hiss fez essa afirmação em 2000 à pesquisadora americana Nancy Shepard Hughes. "Não digo exclusivamente de palestinos, mas também deles", acrescenta a antropóloga, que divulgou a gravação por causa de um artigo publicado em julho passado no jornal sueco "Aftonbladet", que sugeria que soldados israelenses participaram do tráfego de órgãos extraídos de palestinos.

 

A reportagem se baseava em um caso que teria ocorrido em 1992, no qual o corpo de um jovem palestino foi devolvido a sua família com uma sutura que ia do abdômen ao queixo, cinco dias após ter sido morto por soldados israelenses.

 

O artigo originou uma tempestade política entre Suécia e Israel, cujo chanceler, Avigdor Lieberman, chegou a comparar a rejeição de Estocolmo a pedir desculpas pela publicação com seu "silêncio durante o Holocausto".

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