Ministros da Otan apoiam estratégia mais ampla no Afeganistão

Ministros da defesa dos países membros da Otan apoiaram nesta sexta-feira uma estratégia mais ampla contra a insurgência do Taliban, defendida pelo comandante da organização e das tropas dos Estados Unidos, general Stanley McChrystal.

DAVID BRUNNSTROM E PHIL STEWART, REUTERS

23 de outubro de 2009 | 17h17

O encontro dos ministros em Bratislava expressou apoio por medidas como o aumento do treinamento das tropas afegãs para que possam no futuro assumir a responsabilidade pela segurança do Afeganistão.

Mas eles deixaram de lado a questão sobre se deveria haver um grande acréscimo no número de soldados estrangeiros, que atenderia a um pedido de McChrystal, o qual depende de uma decisão do presidente norte-americano, Barack Obama.

O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, afirmou que muitos aliados falaram positivamente sobre a avaliação de McChrystal, mas ele não disse se apoiava o pedido de mais tropas feito pelo general.

Obama está analisando a requisição de McChrystal de envio de mais dezenas de milhares de soldados. O presidente dos EUA disse na quarta-feira que poderia tomar uma decisão sobre sua nova estratégia para a guerra afegã antes do resultado do segundo turno da eleição presidencial do Afeganistão, em 7 de novembro.

Gates declarou que a decisão ainda poderá levar semanas e ministros europeus disseram que muitos aliados iriam esperar um direcionamento dos EUA. Gates afirmou também ter recebido sinais de alguns aliados de que eles poderiam ampliar sua participação.

"Alguns aliados indicaram estar pensando no assunto ou seguindo na direção de elevar suas contribuições civis ou militares, ou ambas", disse Gates em entrevista à imprensa.

"Eu estava apenas ouvindo", disse. "Uma das coisas que eu claramente penso que o presidente espera de mim é apresentar-lhe o ponto de vista de nossos aliados em alguns destes temas."

McChrystal fez uma explanação aos ministros da Otan e de países parceiros sobre suas recomendações de que sejam enviadas mais tropas estrangeiras e sobre sua proposta de ampliar o tamanho do Exército e da polícia afegã dos atuais 230.000 para 400.000 integrantes.

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, disse que a reunião demonstrou apoio para a estratégia defendida por McChrystal.

"Isso significa que os ministros concordaram que os problemas do Afeganistão não se resolvem apenas com a perseguição e morte de terroristas individuais", disse ele à imprensa.

"Nós precisamos de uma estratégia muito mais ampla que estabilize toda a sociedade afegã", disse. "Nós deveríamos reforçar a interação entre nosso esforço militar e o desenvolvimento e a reconstrução civil."

Rasmussen também declarou que a Otan quer ver o futuro governo afegão mostrar que está eliminando a corrupção e fazendo melhorias para o povo.

O presidente afegão, Hamid Karzai, removeu um forte empecilho à decisão de Obama ao concordar, na terça-feira, com a realização de um segundo turno para a eleição presidencial, depois que se constatou que parte dos votos que recebeu em agosto eram fraudulentos.

(Reportagem adicional de Noah Barkin em Berlim)

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