Adrees Latif/Reuters
Adrees Latif/Reuters

Ministros de Índia e Paquistão concordam em manter canal de diálogo aberto

Relações entre os dois países, já tensas, foram pioradas com os atentados de Mumbai em 2008

Efe,

15 de julho de 2010 | 18h16

ISLAMABAD- Paquistão e Índia se comprometeram nesta quinta-feira, 15, a manter aberto o canal de diálogo, após uma longa reunião de seus ministros de Exteriores em Islamabad, a primeira desde os atentados de Mumbai em 2008.

 

"Este processo é valioso e continuaremos nos reunindo no futuro", disse em entrevista coletiva o ministro paquistanês Shah Mehmood Qureshi. Já o ministro indiano, S.M. Krishna, anunciou que convidou o paquistanês para um novo encontro em Délhi "em um futuro próximo".

 

Os dois evitaram marcar uma data para o próximo contato, mas Qureshi manifestou sua opinião de que se até o final de novembro houver avanços nos assuntos abordados, a reunião seria possível no "final do ano".

 

Os ministros destacaram a cordialidade e a utilidade da reunião, que contribuiu para o esforço de "superar o déficit de confiança" desde que o processo de diálogo a que os dois países deram início em 2004 foi afetado.

 

Iniciado com a vontade de resolver as grandes polêmicas enfrentadas pelos dois países desde sua independência, em 1947, sendo a Caxemira o tema principal, agora a Índia tem receios de proceder pelas vias abertas em 2004 e prefere concentrar o diálogo na cooperação na luta antiterrorista.

 

Neste sentido, Krishna assumiu com Qureshi o compromisso de "seguir as pistas" proporcionadas pelo testemunho de David Headley, o americano de origem paquistanesa processado em Chicago em 2009 pelos atentados em Mumbai.

 

Para o ministro da Índia, a "maior medida de reconstrução da confiança" seria que essas pistas ajudassem a "desentranhar a conspiração" que levou aos ataques de três dias à cidade indiana, que mataram 166 pessoas.

 

Pelos atentados, a Índia condenou à morte em maio o paquistanês Mohammed Ajmal Amir, conhecido como Kasab, e o Paquistão processou sete pessoas, todos eles supostos membros do grupo da Caxemira com base em solo paquistanês Lashkar-e-Toiba.

 

Qureshi disse a Krishna que, para que o processo no Paquistão possa seguir seu curso, a Índia ainda precisa aceitar o comparecimento diante da Justiça paquistanesa das pessoas que apresentaram seus depoimentos contra o "foragido" Kasab.

 

Também demonstraram suas diferenças sobre a Caxemira, onde nas últimas semanas foi registrado um novo surto de violência que levou a Índia a acionar o Exército depois de mais de uma década, e sobre o Baluchistão, província paquistanesa onde o governo suspeita de uma intervenção indiana desestabilizadora.

 

Mas, em geral, os dois ministros se esforçaram para destacar o "progresso substancial" alcançado hoje, nas palavras de Qureshi, ou na utilidade de sua reunião para "desenvolver uma melhor compreensão" mútua, segundo Krishna.

 

"O espírito é o de ir para frente", afirmou o ministro paquistanês, que alegou um "reatamento do processo de diálogo".

 

No entanto, Qureshi insistiu em que, apesar dos avanços em pequenas disputas, a relação bilateral requer "observar (os problemas) em perspectiva e tratá-los como um conjunto".

 

"Achamos que o progresso alcançado em quatro anos (de diálogo) não deveria reduzir-se a zero e que deveríamos construir sobre ele", acrescentou.

 

A delegação liderada pelo ministro indiano também se reuniu hoje com o presidente paquistanês, Ali Asif Zardari, e com o primeiro-ministro Yousef Raza Guilani, que emitiram comunicados de satisfação pelo reatamento dos contato.

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