Minorias no Iraque enfrentam extinção após massacres do Estado Islâmico, diz estudo

Mais de 12.000 civis foram mortos no Iraque até agora neste ano, principalmente pelo Estado Islâmico (EIIL), e as minorias que enfrentam limpeza étnica são as principais vítimas, de acordo com um relatório publicado nesta quinta-feira.

KIERAN GUILBERT, REUTERS

16 de outubro de 2014 | 09h17

O Grupo Internacional para Direitos de Minorias (MRG, na sigla em inglês) disse que diversas comunidades minoritárias, incluindo cristãos, yazidis e turcos, estão sujeitas a assassinatos, sequestros e violência sexual, e estão em perigo de extinção no Iraque.

O total de civis mortos quase dobrou, para 12.618, no período de janeiro a setembro, ante 6.676 um ano antes, de acordo com o relatório, que citou o banco de dados Iraq Body Count (contagem de mortes no Iraque).

Pelo menos meio milhão de pessoas foram forçadas a fugir de suas vilas na província de Ninewa, que abriga comunidades milenares, de acordo com o relatório chamado “Da Crise à Catástrofe: a Situação das Minorias no Iraque”.

Combatentes do Estado Islâmico, um grupo militante sunita, tomaram controle de grandes faixas territoriais na Síria e no Iraque neste ano, atacando distritos xiitas em Bagdá e tomando terras ao redor, onde forças de segurança iraquianas e milícias xiitas tentam expulsá-los.

O diretor-executivo do MRG, Mark Lattimer, disse que o governo iraquiano havia mostrado ser “incapaz ou não ter vontade de garantir a segurança das minorias”.

“Considerando que as minorias geralmente não têm suas próprias milícias ou estruturas de proteção tribal, como os grupos majoritários da sociedade, elas estão especialmente vulneráveis”, disse Lattimer em um comunicado que acompanhou o relatório.

“Na grande maioria dos casos, as investigações não são propriamente conduzidas e os perpetradores dos ataques ficam impunes, frequentemente com indícios de cumplicidade oficial."

O MRG disse que as minorias do Iraque enfrentam execuções sumárias, assaltos à mão armada, tortura e atentados há anos.

Membros de minorias que não fugiram do país vivem em medo constante por sua segurança, à medida que seus locais religiosos são alvo de ataques e eles têm medo de abertamente expressar sua identidade religiosa, segundo o documento.

O governo não fez nada para compensar as vítimas ou reconstruir a infraestrutura danificada nos ataques do EIIL contra comunidades de minorias, as quais têm pouco acesso a água potável, eletricidade, habitação e serviços de saúde, continua o relatório.

“O sectarismo que está instalado no governo do Iraque e nas forças de segurança tem de ser revertido, e os responsáveis pelos ataques contra minorias tem de ser responsabilizados no Iraque e internacionalmente”, afirmou Lattimer.

(Por Kieran Guilbert)

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