Moradores de Aleppo se dividem sobre rebeldes sírios

Na Aleppo rebelde, não há lugar para luzes coloridas nem para multidões de consumidores lotando os mercados no mês sagrado do Ramadã.

ERIKA SOLOMON, Reuters

31 de julho de 2012 | 09h39

O lixo se acumula nas calçadas, e algumas pessoas passam apressadas, com semblante carregado.

Embora alguns moradores da maior cidade síria celebrem a chegada dos rebeldes, outros parecem receosos com os esfarrapados combatentes que dominaram alguns bairros.

Aleppo, uma cidade antiga, com cerca de 2,5 milhões de habitantes, havia ficado relativamente afastada do conflito iniciado há 16 meses na Síria, onde rebeldes tentam derrubar o governo de Bashar al-Assad. Mas neste mês a revolta finalmente chegou a Aleppo, com a chegada de rebeldes do interior decididos a "libertar" o maior pólo econômico da Síria. O Exército respondeu bombardeando algumas áreas com artilharia, morteiros e disparos de helicópteros.

Em algumas favelas da periferia, homens com tradicionais túnicas brancas se aglomeram entre as casas de blocos para discutir a situação, enquanto suportam as últimas horas do jejum diário exigido do Ramadã, que vai do alvorecer ao pôr do sol.

Alguns se mostram contentes por estarem sob o controle da oposição, mas admitem que a liberdade tem sido menos confortável do que eles esperavam.

"Eu diria que 99,9 por cento das pessoas não está jejuando. Como dá para jejuar escutando morteiros e artilharia atingindo áreas próximas, e se perguntando se você será o próximo?", disse Jumaa, 45 anos, operário da construção civil com profundas rugas marcando o seu rosto.

"Praticamente não temos água nem energia, nossas esposas e filhos nos deixaram aqui para cuidar da casa e foram para algum lugar mais seguro. É um Ramadã."

Apesar disso, Jumaa está animado por ver os rebeldes nas ruas da segunda maior cidade síria. "Meu moral está elevado. Vê-los da minha porta me faz sentir que o regime está finalmente caindo."

Encurvado na soleira vizinha, seu vizinho discorda. "Tudo o que temos agora é o caos", resmunga Amr.

Alguns homens contestam irritados. "Mas eles estão lutando para nos livrar da opressão", diz um.

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