Moradores de Gaza torcem por trégua e dizem que tudo tem limite

Exaustos por dormir pouco e abalados com os incontáveis bombardeios e mortes os moradores de Gaza têm a esperança de um cessar-fogo entre Israel e o Hamas neste sábado, para pelo menos conseguirem reorganizar as suas vidas. "A gente não quer saber como, a gente quer um cessar-fogo. Queremos voltar para casa, nossas crianças precisam voltar a dormir nas suas camas", diz Ali Hassan, 34, pai de cinco filhos, que está abrigado na casa do irmão no centro de Gaza. "Tudo tem limite", afirma ele, que trouxe a família do norte de Gaza há duas semanas, para escapar dos bombardeios israelenses naquela região. "Nossos ouvidos estavam a ponto de explodir com tantas bombas. Temos sorte por estarmos vivos", lembra. Apesar dos contatos diplomáticos mais intensos e os sinais de que uma trégua pode estar por vir, Israel mantém os ataques que já duram três semanas. Os israelenses buscam dar um golpe definitivo contra o Hamas, antes que um cessar-fogo saia. Diante do ataques que, segundo médicos, já mataram 1.200 palestinos, incluindo 410 crianças, o Hamas continua a disparar foguetes contra Israel, embora menos que antes. Neste sábado, segundo os militares israelenses, foram sete. Treze israelenses foram mortos no conflito, dez soldados e três civis atingidos por foguetes. Com parentes já mortos, com a indicação de que os foguetes do Hamas não têm grande impacto em Israel, Ali Hassan diz que é hora de Israel tomar a iniciativa da trégua. "Um cessar-fogo unilateral de Israel seria um golpe no Hamas, uma derrota política", prega. "Israel pode dizer que eles entraram no coração de Gaza, destruíram lugares, mataram Seyyam e podem voltar quando quiserem", afirma, se referindo ao líder do Hamas Saeed Seyyam, que morreu num ataque aéreo israelense. Outros, apesar de não tão convencidos da derrota, defendem que o Hamas concorde com um cessar-fogo . "O Hamas continua de pé, eles continuam a disparar foguetes quando e para onde eles querem, mas eles precisam pensar com sabedoria sobre os ganhos e as perdas", afirma Aziz, motorista de táxi. QUESTIONAMENTO DAS TÁTICAS DO HAMAS Os ganhos e as perdas da estratégia do Hamas são tema de discussão entre os habitantes de Gaza. Muitos apóiam de forma automática a resistência contra Israel, mas questionam a destruição e a perda de vidas das últimas semanas. "Os foguetes precisam parar. O que ganhamos com ele?", pergunta Lama, uma secretária que não quis dar o nome completo. "Agora o Hamas está negociando uma trégua. Em dezembro, tiveram uma oferta para renová-la e recusaram. Agora, depois de centenas de mortos, como o Hamas explica isso?". Desde 2001, o Hamas disparou 8 mil foguetes e morteiros contra Israel, matando 21 pessoas. Israel tem dito que impedir esses ataques é o objetivo da ação militar das últimas três semanas. Ali Hassan questiona a tática do Hamas, dizendo que não há sentido em disparar foguetes se eles não são eficazes. "Acho que os foguetes precisam ser suspensos por algum tempo e reavaliados", afirma ele. "Quando tivermos um míssil que pode alcançar o coração de Tel Aviv, talvez possamos retomar os disparos."

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