Moradores de Trípoli prometem manter protesto e derrubar Gaddafi

Gritando "Gaddafi é o inimigo de Deus" e agitando os punhos, centenas de moradores de Trípoli prometeram, neste sábado, prosseguir com a revolta contra Muammar Gaddafi, durante o funeral de um homem morto por soldados do líder líbio.

MARIA GOLOVNINA, REUTERS

26 de fevereiro de 2011 | 18h29

Em bairro pobre da capital líbia, centenas de homens, opositores declarados do governo de 41 anos de Gaddafi, se reuniram para homenagear uma das cinco pessoas que eles disseram que foi morta quando os soldados atiraram contra os manifestantes na sexta-feira.

Não houve confirmação desse número.

"Vamos protestar mais e mais, amanhã e depois de amanhã", disse Isham, um engenheiro de 34 anos.

"Não somos livres."

Com a voz embargada pela emoção, outro homem, Ismail, disse: "As forças de Gaddafi vieram aqui e atiraram para todo lado durante a manifestação, que era pacífica."

Os moradores disseram que as forças do governo chegaram em cerca de 40 caminhonetes. Primeiro usaram gás lacrimogêneo e depois usaram armas automáticas contra os manifestantes que marchavam do distrito da classe operária, Tajoura, para o centro de Trípoli, reduto de Gaddafi, depois das orações de sexta-feira.

O governo tem negado o uso de força contra os civis.

"Deus é grande. Gaddafi é o inimigo de Deus," gritava a multidão, transformando o funeral em outro protesto.

Muitas pessoas falavam abertamente contra o líder líbio, um forte contraste com os anos em que qualquer sugestão de um sentimento anti-Gaddafi não era tolerada.

"Todos em Tajoura se rebelaram contra o governo. Nós o vimos matar o nosso povo aqui e em toda a Líbia", disse um homem que se identificou como Ali, de 25 anos.

Outra pessoa disse: "Queremos o governo fora."

Algumas pessoas mostraram imagens de vídeo, filmadas com seus celulares, de pessoas carregando feridos, com o som de tiros ao fundo.

Moradores disseram que os feridos estavam sendo tratados no local, depois que várias pessoas desapareceram dos hospitais, durante conflitos anteriores.

Um médico disse que uma pequena clínica havia recebido cerca de 60 feridos nos últimos dias.

"Quase dez pessoas desapareceram dos hospitais", disse um homem falando inglês fluente. Ele pediu para não ser identificado.

"Por isso, todos os feridos estão escondidos."

As ruas ficaram cheias de pilhas de lixo, vidros quebrados e cartuchos de munição, mas não havia sinal das forças de segurança no sábado.

Em um bairro vizinho, onde os moradores disseram que aconteceram outros confrontos, a rua estava cheia de metal retorcido e blocos de concreto. Manchas de sangue podiam ser vistas nos degraus de uma loja de esquina, incendiada.

Em uma rua, barricadas com troncos de palmeiras e pilhas de escombros, pichações com os dizeres: "Saia! A Líbia é livre" cobriam as casas. Alguns edifícios e muros estavam marcados por buracos de bala.

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