Moradores deixam Falluja, no Iraque, com medo de ataque militar

Iraquianos que fogem de Falluja questionam se os homens armados e mascarados que chegaram à cidade há dez dias são realmente extremistas ligados à Al Qaeda como o governo diz, mas temem de qualquer forma uma violenta reação do Exército.

ISABEL COLES, Reuters

10 de janeiro de 2014 | 14h50

Num motel no norte curdo iraquiano, moradores de Falluja disseram ter ficado impressionados pela velocidade com a qual a cidade da província de Anbar, de maioria sunita, foi tomada pelos homens armados, prevendo uma luta dura se as tropas do governo liderado pelos xiitas tentarem retomar o lugar.

Extremistas ligados à Al Qaeda, que também lutam na vizinha Síria, têm se fortalecido em Anbar, que eles ocuparam em 2006 e 2007 e depois foram expulsos por milícias locais e pelas forças norte-americanas.

Algumas testemunhas afirmaram que alguns dos homens armados inicialmente exibiram bandeiras pretas da Al Qaeda nos postos policiais capturados em Falluja e fizeram um apelo pelo apoio dos moradores pelo sistema de som da mesquita, durante as orações da sexta-feira, na semana passada.

As bandeiras no entanto foram retiradas, e os moradores declararam não acreditar que os homens armados, que patrulham as ruas à noite e dizem aos locais que não há nada a temer, integrem o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, grupo ligado à Al Qaeda.

"Não vemos um forte presença armada representando o Estado Islâmico, somente homens mascarados com armas", afirmou Monzher Hazallah, engenheiro que está há vários dias no motel com uma família de nove pessoas. "Não sabemos quem eles são. Eles estão mascarados."

Falluja é a nova trincheira na guerra do primeiro-ministro Nuri al-Maliki contra o que o governo diz ser militantes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Muitos iraquianos afirmam que as diferenças dos sunitas com o governo torna esse conflito mais amplo.

É difícil dizer se os homens armados em Falluja são extremistas ou integrantes de tribos sunitas locais contrariados com o tratamento que recebem do governo. De qualquer forma, os moradores estão com medo.

"Há forças do governo e militantes, e nós estamos no meio", afirmou Adel Abdullah Hussein, que deixou Falluja com a família no sábado. A fuga de Anbar aumenta mais ainda o total de iraquianos que tiveram de deixar as suas casas no país.

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