Morales e Ahmadinejad defendem uso de energia nuclear

Para presidentes de Bolívia e Irã, todos os os países tem o direito de usá-la para fins pacíficos

Efe e Associated Press,

24 Novembro 2009 | 18h01

Ahmadinejad e Morales evocaram o 'marco do direito internacional de uso de energia nuclear'  Foto:AP  

 

LA PAZ - Os presidentes da Bolívia, Evo Morales, e do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, defenderam nesta terça-feira, 24, o "direito legítimo de todos os países ao uso e desenvolvimento de energia nuclear com fins pacíficos no marco do direito internacional".

 

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Em comunicado conjunto emitido por ocasião da visita do governante iraniano a La Paz, os presidentes condenaram a "moral dupla de alguns países sobre o assunto" e pediram que os países possuidores de armas nucleares as eliminem.

 

Morales e Ahmadinejad também solicitaram aos países que têm armas nucleares para que adotem o mais rápido possível as medidas necessárias para sua eliminação com base nos "compromissos internacionais, principalmente os estabelecidos no tratado de não-proliferação de armas de destruição em massa".

 

O Governo de Teerã mantém uma queda-de-braço com a comunidade internacional por sua insistência em seguir com um programa nuclear e por sua recusa a responder ao acordo proposto pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre o fornecimento de combustível nuclear para seu reator experimental.

 

No documento de 19 pontos, os Governos de Teerã e La Paz expressam também sua condenação "aos crimes em Gaza e Palestina" e pedem "que a região do Oriente Médio seja declarada como livre de armas nucleares", o que exige a destruição de "todo o arsenal instalado nos territórios ocupados da Palestina".

 

Ambos os governantes reafirmaram seu "compromisso com a vigência plena dos direitos humanos" e condenaram "o uso instrumental dos mesmos, assim como a utilização com intenções e propósitos políticos de resoluções de condenação sobre direitos humanos por alguns países que são os principais violadores dos mesmos".

 

A declaração comum defende, além disso, a democracia como um valor universal "baseado na vontade do povo livremente expressada em determinar seu próprio sistema político, econômico, social, cultural".

 

Ahmadinejad chegou à Bolívia hoje de manhã. Ele se reuniu com Morales para a assinatura de convênios bilaterais.

 

Esta é a segunda visita do presidente iraniano à Bolívia. Em setembro de 2007, ratificou com Morales uma aliança baseada em sua posição comum contra o "imperialismo" dos EUA e assinou um plano de cooperação pelo qual o Irã se comprometeu a investir US$ 1,1 bilhão em território boliviano.

 

Ahmadinejad chega à Bolívia após passar ontem pelo Brasil, onde se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda hoje à tarde, ele deve seguir para a Venezuela.

 

Interesse pelo lítio

 

Também nesta terça-feira, 24, o presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, entregou ao seu colega Evo Morales uma fábrica de laticínios e um hospital com financiamento iraniano, além de ter manifestado interesse em cooperar na industrialização das grandes reservas de lítio da Bolívia.

 

Durante uma visita de poucas horas, com uma viagem para a Venezuela programa ainda para esta terça, Ahmadinejad inaugurou as obras por meio de uma teleconferência, assinou com Morales um acordo para a instalação de dois centros de hemodiálise e outro pelo qual o Irã irá cooperar na "no desenvolvimento do processo de industrialização de recursos minerais", entre eles o lítio.

 

Ahmadinejad afirmou que considera Morales como "amigo e irmão" e disse esperar que a cooperação entre Irã e Bolívia avance ainda mais. "Ainda que exista uma grande distância entre nós, nosso pensamentos estão próximos", afirmou o presidente iraniano.

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