Morte de civis em Gaza é 'fruto das circunstâncias', diz Israel

Chanceler israelense afirma 'estar em paz' com resultados da operação e culpa Hamas por combates em cidades

Agências internacionais,

19 de janeiro de 2009 | 16h02

As mortes de civis palestinos na Faixa de Gaza foram "fruto das circunstâncias", disse nesta segunda-feira, 19, a chanceler israelense, Tzipi Livni. "Tivemos que realizar esta operação. Estou em paz com o fato de o termos feito", disse à Rádio Israel a chanceler, política de centro que é candidata a primeira-ministra na eleição de 10 de fevereiro.  A ofensiva israelense na Faixa de Gaza, lançada em 27 de dezembro para combater ataques de foguetes palestinos e suspensa no domingo, matou mais de 1,3 mil palestinos. Grupos de defesa dos direitos humanos em Gaza disseram que 700 dos mortos são civis, muito deles crianças. Indagada sobre as mortes de civis, Livni disse que "foram fruto das circunstâncias". Ela culpou o grupo islâmico Hamas, que governa a Faixa de Gaza, por combater dentro de centros povoados.  Veja também:Hamas promete se rearmar após ofensiva em GazaTropas sairão de Gaza antes de posse de Obama, afirma IsraelHamas anuncia trégua para Israel sair da Faixa de GazaNo Egito, França diz que Israel deve deixar Faixa de Gaza Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques     O cessar-fogo foi mantido nesta segunda-feira na Faixa de Gaza, enquanto as tropas israelenses se retiravam de importantes áreas e os palestinos vasculhavam as ruínas da pior ação dos israelenses em Gaza. Não houve ataques aéreos, lançamento de foguetes ou grandes confrontos no enclave costeiro, dando aos moradores de Gaza sua primeira noite de completa paz desde o início da ofensiva de Israel. "Nós procuramos alvejar os terroristas, e às vezes pode acontecer de civis serem atingidos na luta contra o terror". Livni acrescentou: "Não devemos tratar isso levianamente. Estas questões nos impõem uma tarefa complicada. As consequências, no contexto das baixas civis, são algo que temos que encarar, entre nós mesmos e ao encarar o mundo."  Em Israel, que perdeu dez soldados em combates e três civis mortos por foguetes, a ofensiva foi bem vista, dado a ira em relação ao Hamas e aos frequentes disparos de foguetes desde a Faixa de Gaza, de onde as forças e os colonos israelenses se retiraram em 2005. Mas os israelenses também estão atentos às críticas feitas por potências ocidentais que receiam que o sofrimento em Gaza possa reduzir o apoio ao rival secular do Hamas, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, e suas conversações de paz com o Estado judaico. Em meio à calmaria desta segunda, Israel permitiu a passagem de quase 200 caminhões com ajuda humanitária em Gaza e de 400 mil litros de combustível no território, disse um militar. Um porta-voz militar, major Peter Lerner, disse que 120 caminhões transportariam auxílio através do terminal Kerem Shalom e outros 70 entrariam por Karni. Um total de pouco mais de quase 40 mil toneladas de alimentos e remédios foi transportado até Gaza desde o início da ofensiva, segundo Lerner.  O primeiro-ministro israelense Ehud Olmert disse que seu país quer deixar Gaza o mais rápido possível. Apesar de grande parte do território estar agora em ruínas, o líder do Hamas, Ismail Haniye, comemorou a "grande vitória". Líderes europeus que viajaram a Israel após um encontro com o Egito no domingo pediram ao país que respeite o cessar-fogo e complete a retirada de tropas, além da abertura das fronteiras de Gaza. Jurisdição  As mortes de civis desencadearam protestos públicos no exterior e levaram altos representantes da ONU a pedir investigações independentes para determinar se Israel cometeu crimes de guerra. Os palestinos há muito tempo pedem que as repressões militares israelenses sejam julgadas no âmbito internacional. Mas faltam dispositivos legais para isso.  A Corte Criminal Internacional em Haia não tem jurisdição para investigar na Faixa de Gaza, já que o território não é um Estado. Embora a Autoridade Palestina venha funcionando como instância soberana interina desde 1993, ela foi expulsa de Gaza pelo Hamas no ano passado, depois de o grupo islâmico vencer uma eleição.  Embora Israel não tenha assinado o Estatuto de Roma que instituiu a CCI, o país pode ser investigado, mas isso exigiria um mandato do Conselho de Segurança da ONU. Qualquer proposta nesse sentido provavelmente seria vetada pelos EUA, aliado de Israel.  Durante os combates na Faixa de Gaza, as forças armadas israelenses frequentemente avisaram os palestinos com antecedência para que deixassem suas casas. Mas muitos palestinos disseram que não havia para onde fugir, especialmente porque as escolas da ONU usadas como abrigos foram bombardeadas repetidas vezes. Médicos e grupos de defesa dos direitos humanos também acusam Israel de uso ilegal de munições contendo fósforo branco, que pode provocar queimaduras graves. Israel não apresentou qualquer relatório sobre as munições, mas disse que todas suas armas obedecem às leis.  Outra acusação feita a Israel é de violação do princípio da proporcionalidade nos ataques aos guerrilheiros palestinos, cujas forças eram muito inferiores. Israel diz que usou da força necessária para minimizar suas baixas durante a guerra urbana contra o Hamas.

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