Morte de civis na Líbia solapa credibilidade da Otan, diz Itália

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) colocou em risco sua credibilidade com uma bomba que destruiu uma casa na capital líbia, matando vários moradores, disse o ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, na segunda-feira.

NICK CAREY, REUTERS

20 de junho de 2011 | 15h10

Essa foi a primeira vez que a Otan admitiu ter causado a morte de um grupo de civis na Líbia e aconteceu no momento em que a aliança militar sente o peso da campanha, que está exigindo mais tempo e mais recursos do que o esperado.

A Otan informou que o alvo em vista era um local de mísseis. O chefe de suas operações na Líbia disse que lamentava a perda de vidas e que uma falha no sistema pode ter desviado o curso da arma.

Autoridades líbias acusaram a Otan de alvejar deliberadamente a população e culpou a aliança por outras mortes de civis na cidade de Sebha, no sul do país, e em Surman, a oeste de Trípoli.

"A Otan está colocando em risco a sua credibilidade; não podemos nos arriscar a matar civis", disse Frattini a jornalistas antes de uma reunião de chanceleres europeus em Luxemburgo para discutir formas de auxiliar os rebeldes que tentam derrubar Muammar Gaddafi.

Frattini expressou preocupação de que a Otan estivesse perdendo a guerra da propaganda para Gaddafi e de que as notícias da mídia ocidental não coloquem ênfase suficiente no bom trabalho feito pela aliança diariamente para proteger os civis líbios.

"Não podemos continuar com nossas falhas na forma como nos comunicamos com o público, que não chega no nível da propaganda diária de Gaddafi", afirmou ele.

A Otan prosseguia com sua campanha de ataques aéreos na segunda-feira. A operação já dura três meses. Um repórter da Reuters no centro de Trípoli disse ter ouvido barulho de caças por volta do meio-dia e, depois, uma explosão ao longe.

Não havia detalhes disponíveis sobre o ataque.

A agência oficial de notícias líbia, a Jana, disse que ataques aéreos mataram quatro funcionários civis da Defesa e feriram outros dez no domingo, quando prestaram os primeiros-socorros para as pessoas nos sítios civis atingidos pela coalizão em Sebha.

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