Morte de comandante rebelde divide ainda mais os líbios

Enquanto o cortejo fúnebre de Abdul Fattah Younes levava o caixão para a sepultura, combatentes recém-chegados do front de batalha disparavam tiros para o alto e prometiam que a morte do comandante militar dos rebeldes líbios não terá sido em vão.

RANIA EL GAMAL E MISSY RYAN, REUTERS

29 de julho de 2011 | 19h56

Enquanto isso, a mil quilômetros de Benghazi, principal reduto dos rebeldes, seguidores de Muammar Gaddafi diziam em Trípoli que Younes mereceu o fim que teve por ter traído o regime.

Younes foi ministro da Segurança de Gaddafi até fevereiro, quando rompeu com o regime em vigor há 41 anos e aderiu aos rebeldes que tentam derrubar Gaddafi. Sua morte, ocorrida na quinta-feira, foi um golpe para os rebeldes e para os seus apoiadores ocidentais, e certamente não contribuirá com um encerramento rápido da guerra civil iniciada há cinco meses.

Detalhes sobre o assassinato de Younes permanecem confusos, mas o ministro rebelde Ali Tarhouni disse na noite de sexta-feira que combatentes rebeldes que haviam sido despachados para levá-lo do front, perto de Brega, para prestar um depoimento em Benghazi o mataram e desovaram seu corpo nos arredores da cidade.

Um líder miliciano foi preso e confessou que seus subordinados cometeram o homicídio, segundo Tarhouni.

No enterro, o cemitério de Benghazi mais parecia um campo de batalha, de tão intensos eram os disparos feitos por fuzis AK-47, metralhadoras e baterias antiaéreas. Os participantes eram atingidos pelas cápsulas vazias cuspidas pelas armas, e o cheiro de pólvora dominava o ambiente.

"O general Abdul Fattah Younes era nosso pai. Ele era um símbolo da revolução", disse o coronel Ali Ayad, que voltou do front de combate ao saber da morte de Younes.

Diante do caixão coberto com a bandeira vermelha, preta e verde da Líbia rebelde, a multidão gritava "Allahu Akbar" ("Deus é grande"), "Para o céu, líder dos livres", e "Seu sangue, general, não será em vão". O féretro passou entre duas filas de combatentes, vários deles portando fotos de Younes, outros agitando bandeiras rebeldes.

"Devemos vingá-lo, e a mínima vingança é a cabeça de Gaddafi", acrescentou Ayad.

Ele acusou partidários de Gaddafi infiltrados no leste rebelde de terem assassinado Younes. Outros disseram haver traidores entre as fileiras insurgentes. Esses e vários outros rumores e teorias conspiratórias circulavam por Benghazi, a "capital" dos rebeldes, que controlam quase metade do país, mas não conseguem avançar até Trípoli e derrubar Gaddafi.

Analistas dizem que Younes colecionou inimigos por ter sido anteriormente responsável por esmagar dissidências contra o regime, e que não conseguiu se impor a alguns rebeldes. Ele também teria se envolvido numa disputa de poder com Khalifa Heftar, outro ex-integrante do regime, pelo comando das forças insurgentes.

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