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Morte de dezenas de civis em ataque da Otan revolta afegãos

Um avião dos Estados Unidos chamado por tropas alemãs disparou contra caminhões de combustível que haviam sido roubados no Afeganistão antes da madrugada desta sexta-feira, matando cerca de 90 pessoas em um incidente que pode provocar um retrocesso para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a aliança militar ocidental.

FRAIDOUN ELHAM, REUTERS

04 de setembro de 2009 | 17h44

Inicialmente, a Otan disse acreditar que as vítimas eram todas combatentes do Taliban, mas depois reconheceu que um grande número de civis feridos estava sendo tratado em hospitais da região do ataque.

Moradores de vilarejos disseram que seus parentes estavam retirando combustível dos caminhões e foram queimados vivos por uma bola de fogo gigante. Os pacientes chegavam aos hospitais completamente cobertos por queimaduras.

O gabinete do presidente do país, Hamid Karzai, estimou em 90 o número de mortos, informou que ele está profundamente entristecido e ordenou que sejam feitas investigações.

"Nenhum civil deve ser machucado durante operações militares", disse Karzai em um comunicado. "Em nenhuma circunstância é aceitável que os civis sejam atingidos por ataques."

O incidente, ocorrido na província de Kunduz, norte do Afeganistão, pode reacender a ira contra as tropas estrangeiras dois meses depois que o novo comandante da Otan e dos EUA no país anunciou medidas para pôr fim às mortes de civis que, segundo ele, estão minando o esforço de guerra.

Autoridades locais, que também podem sofrer reveses por causa da morte de civis, disseram que combatentes do Taliban também foram mortos no ataque. O governador da província, Mohammad Omar, afirmou acreditar que metade dos mortos era militante e o chefe da polícia local, Abdul Razzaq Yaqubi, disse que 55 dos 90 mortos eram combatentes.

Segundo Mohammad Sarwar, um destacado representante tribal na província, disse que os combatentes do Taliban haviam roubado os caminhões-tanque e estavam oferecendo combustível para uma multidão de moradores de vilarejos quando ocorreu o bombardeio.

"Nós culpamos tanto o Taliban como o governo", declarou ele.

Repórteres da Reuters viram vários rapazes com graves queimaduras chegando de ambulância a um hospital, onde médicos disseram que 13 pessoas estavam sendo tratadas, incluindo três crianças.

A tenente Christine Sidenstricker, encarregada do contato com a imprensa pelas forças da Otan e dos EUA, disse que as autoridades afegãs informaram o roubo de dois caminhões-tanque. A aviação da Otan os localizou às margens de um rio.

"Depois de observar que apenas insurgentes estavam na área, o comandante local da força ordenou ataques aéreos que destruíram os caminhões e mataram um grande número de insurgentes", afirmou ela.

Mais tarde, o brigadeiro Eric Tremblay disse que "parece que muitos civis feridos estão sendo removidos e tratados em hospitais locais."

Um encarregado da Defesa dos EUA disse que o ataque foi feito por um jato americano F-15, e o Ministério da Defesa da Alemanha informou que a permissão de disparar foi dada por um comandante alemão em terra.

O Taliban considera os carregamentos de combustível alvos estratégicos porque as forças da Otan precisam deles.

(Reportagem adicional de Hamid Shalizi e Peter Graff em Cabul, Hans-Edzard Busemann em Berlim, Avril Ormsby em Londres e Adnrew Gray em Washington)

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