Morte de palestino suspeito de atirar em judeu de ultradireita provoca confrontos com Israel

A polícia de Israel matou a tiros nesta quinta-feira um palestino, de 32 anos, suspeito de ter tentado matar um ativista judeu de ultradireita horas antes, o que desencadeou confrontos intensos em Jerusalém Oriental e temores de um novo levante palestino.

LUKE BAKER, REUTERS

30 de outubro de 2014 | 12h37

O complexo de Al-Aqsa, ou Monte do Templo, que está no cerne dos mais recentes episódios de violência, foi fechado aos visitantes por precaução. Foi a primeira interdição total do local, venerado por judeus e muçulmanos, em 14 anos.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, criticou as ações israelenses, que disse serem “equivalentes a uma declaração de guerra”.

O corpo de Moataz Hejazi foi encontrado em uma poça de sangue entre antenas de televisão no teto de uma casa de três andares em Abu Tor, distrito árabe de Jerusalém Oriental, enquanto forças israelenses isolavam a área e repeliam manifestantes palestinos munidos de pedras.

Hejazi era suspeito de ter alvejado e matado Yehuda Glick, ativista religioso de ultradireita que liderou uma campanha para que os judeus tenham permissão de orar no complexo de Al-Aqsa.

Glick, colono nascido nos Estados Unidos, foi morto a tiros quando saía de uma conferência no Centro Menachem Begin de Jerusalém no final de quarta-feira. Seu assassino escapou na garupa de uma motocicleta.

Um porta-voz do centro disse que Hejazi trabalhou no restaurante da entidade. Glick, de 48 anos, recebeu quatro tiros e continua em situação grave, mas estável, informaram os médicos.

Os moradores da área afirmaram que centenas de policiais israelenses participaram da busca noturna por Hejazi. Ele foi rastreado até a casa de sua família em Abu Tor e cercado no terraço de um edifício vizinho.

OPINIÕES DIVIDIDAS

“Unidades da polícia antiterrorista cercaram uma casa na vizinhança de Abu Tor para prender o suspeito da tentativa de assassinato de Yehuda Glick”, declarou o porta-voz da polícia de Israel, Micky Rosenfeld. “Assim que chegaram, foram recebidos a tiros. Reagiram aos disparos, atingindo e matando o suspeito.”

Os locais identificaram o homem como Hejazi, que passou 11 anos em uma prisão israelense e foi libertado em 2012. O pai e o irmão de Hejazi foram presos. A polícia israelense lançou bombas sonoras para afastar grupos de moradores revoltados, que gritaram ofensas enquanto assistiam ao desenrolar do drama das sacadas ao redor.

Um residente de Abu Tor, um idoso árabe de bengala que não quis se identificar, descreveu Hejazi como um encrenqueiro. Outros afirmaram que ele era um bom filho de uma família respeitável.

O Hamas e a Jihad Islâmica, dois grupos que militam pela causa palestina, saudaram o ataque a Glick e lamentaram a morte de Hejazi.

“Louvamos seu martírio, que veio depois de uma vida plena de jihad (luta) e sacrifício e que respondeu ao chamado da tarefa sagrada de defender a mesquita de Al-Aqsa”, declarou a Jihad Islâmica.

Jerusalém Oriental, capturada por Israel na Guerra dos Seis Dias de 1967 e ocupada desde então, tem sido palco de atritos intensos nos últimos meses, especialmente nos arredores de Silwan, que fica à sombra da Cidade Velha e de

Al-Aqsa.

         Organizações de colonos judeus adquiriram mais de duas dúzias de edifícios em Silwan ao longo dos anos, sendo nove nos últimos três meses, e os ocuparam, uma iniciativa para tornar o distrito mais judeu. Cerca de 500 colonos vivem em meio a aproximadamente 400 mil palestinos.

     (Reportagem adicional de Ori Lewis em Jerusalém, Ali Sawafta e Noah Browning em Ramallah e Nidal al-Mughrabi em Gaza)

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