Mortes de civis no Iraque aumentam e Bush pede paciência

A morte de civis pela violência no Iraquecresceu em agosto, com 1.773 pessoas mortas, segundo dados dogoverno divulgados no sábado, dias antes de o Congresso dosEstados Unidos receber uma série de relatórios sobre aestratégia de guerra do presidente George W. Bush. O total de civis mortos foi 7 por cento maior do que os1.653 mortos em julho, segundo os dados de vários ministérios. Quase um quarto do total de agosto corresponde às 411pessoas mortas em um grande ataque com um caminhão-bomba contraa minoria da comunidade Yazidi no norte do Iraque, no dia 14 deagosto. Sem o ataque à comunidade Yazidi, o total de mortos aindaseria maior do que o número de junho, 1.227, que havia sido omenor desde o reforço das operações apoiadas pelos EstadosUnidos, em fevereiro. Os dados mostram que 87 membros das forças de segurançairaquianas foram mortos em agosto, numa grande queda em relaçãoao mês anterior, quando 224 haviam sido mortos. Bush, sob pressão da oposição democrata e de algunsimportantes republicanos para começar a retirar as tropasamericanas do Iraque, pediu ao Congresso na sexta-feira paraesperar pela avaliação da situação de segurança e política doIraque antes de fazer qualquer julgamento. "Os riscos no Iraque são muito altos, e as consequênciasmuito graves para nossa segurança aqui em casa, para permitirque a política prejudique a missão de nossos homens e mulheresfardados", disse Bush em um comunicado após visitar autoridadesmilitares no Pentágono. As Forças Armadas americanas dizem que ataques sectárioscaíram desde o envio de mais 30 mil soldados americanos,seguindo o plano de Bush para dar aos líderes iraquianos um"espaço de respiro" para conseguir a reconciliação entre osárabes xiitas e sunitas. O comandante dos Estados Unidos no Iraque, general DavidPetraeus, disse em uma entrevista a um jornal australiano nestasemana que houve uma queda de 75 por cento nas mortes pormotivação religiosa ou étnica desde o ano passado. Mas enquanto alguma melhora de segurança pode ter sidoalcançada, nenhuma lei essencial para ajudar a reduzir asprofundas divisões sectárias foi aprovada, e o gabinete doprimeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki foi atingido pelarenúncia de quase metade de seus ministros. AVALIAÇÃO CRUCIAL Uma avaliação sobre o aumento das tropas e sobre a situaçãopolítica no Iraque será o foco de uma série de importantesrelatórios ao Congresso norte-americano nas próximas duassemanas, que poderiam levar a uma mudança na política dosEstados Unidos para a guerra. O mais importante será uma avaliação de Petraeus e doembaixador Ryan Crocker, que prestarão depoimento ao Congressono dia 10 de setembro. A Casa Branca deverá submeter seu próprio relatório no dia15 de setembro. Esse relatório deverá citar uma decisão do clérigo xiitaMoqtada al-Sadr de congelar as atividades de sua temidamilícia, o Exército Mehdi.

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